Em 1926, a Irlanda era mais diversa do que se pensava
Arquivo histórico será liberado gratuitamente em 18 de abril e prova que a Irlanda de 1926 era composta por uma mistura diversa de imigrantes

Contrariando a imagem histórica de um país estritamente conservador e isolado, os primeiros anos da Irlanda independente foram marcados por uma notável diversidade cultural.
Essa é a principal revelação do censo de 1926, cujos dados detalhados serão disponibilizados gratuitamente online a partir do dia 18 de abril. Com a abertura histórica desse vasto arquivo, o público terá acesso à vida de 2,9 milhões de pessoas, comprovando que cidadãos britânicos, franceses, italianos e americanos já habitavam o território.
Sociedade globalizada
De acordo com informações do jornal The Guardian, para o historiador John Gibney, pesquisador do projeto, os registros contrariam frontalmente o mito de um recanto puramente monoétnico.
Ele ressalta que as pessoas daquela época viajavam bastante e interagiam intensamente com a cultura popular global. “Há muito mais variedade do que às vezes se imagina”, afirmou Gibney, destacando que quase todas as vilas possuíam moradores com sotaques estrangeiros convivendo com a população nativa.
Além disso, o novo Estado em formação oferecia grandes oportunidades de trabalho que atraíam profissionais de diversas partes do mundo. O censo documenta, por exemplo, engenheiros alemães atuando ativamente em um grande projeto hidrelétrico na região de Limerick.
Da mesma forma, os dados oficiais mostram um estudante de direito hindu, nascido na Índia, vivendo em uma pensão comum na capital Dublin.
Segredos da Irlanda revelados
Paralelamente à diversidade, o documento histórico traz à tona segredos íntimos que as famílias tentaram omitir dos registros oficiais.
Como cerca de 2.000 policiais locais foram responsáveis por recolher os formulários, eles utilizaram seu conhecimento prévio da comunidade para adicionar notas cruciais. Segundo a diretora dos Arquivos Nacionais, Orlaith McBride, essas anotações desvendaram desde casamentos não declarados até netas que eram apresentadas como filhas para esconder mães solteiras.
Mistérios e restauração
Consequentemente, os acadêmicos esperam que a liberação dos dados ajude a desvendar a drástica queda de 32% na população protestante irlandesa entre 1911 e 1926.
Para viabilizar todas essas análises e descobertas, o governo precisou investir cerca de 5 milhões de euros na recuperação do material. Dessa forma, uma equipe de 50 especialistas restaurou minuciosamente mais de 700 mil páginas danificadas, garantindo que o acervo completo ficasse livre de assinaturas pagas ao público.