DNA reacende debate sobre origem de Cristóvão Colombo
Nova análise genética reacendeu discussões sobre origem do navegador e questiona a tradicional versão Italiana; entenda!

Um dos debates mais antigos da histografia europeia voltou ao centro das atenções após novos testes de DNA sugerirem uma possível origem espanhola para Cristóvão Colombo. Em vez de Gênova, na Itália, o navegador do século 15 pode ter ligações genéticas com famílias nobres da Galícia, no noroeste da Espanha, segundo pesquisadores.
A nova análise foi conduzida por cientistas ligados ao laboratório Citogen e por pesquisadores de universidades espanholas, que examinaram restos mortais descendentes diretos de Colombo e de linhagens aristocráticas, da Península Ibérica.
O estudo identificou compatibilidades genéticas com família Sotomayor, ligada ao nobre Pedro Álvarez de Sotomayor, conhecido historicamente como Pedro Madruga.
A hipótese de uma origem galega não é nova entre historiadores, mas, desta vez, ganhou novo fôlego com evidências genéticas apresentadas pelos pesquisadores. A investigações também reacendeu discussões sobre documentos históricos deixados pelo navegador, incluindo suas referências linguísticas.
Mistério que atravessa séculos
Em entrevista produzida pela Daily Mail, a geneticista Isabel Navarro-Vera, responsável por parte das análises, afirmou que o estudo representa “o primeiro respaldo genético robusto”
De acordo com a Galicia Press, para a hipótese galega, segundo ela a equipe utilizou mais de 10 mil marcadores genéticos, durante o processo de comparação.
Apesar do impacto da descoberta, nem todos os especialistas consideram o caso encerrado. Estudos anteriores conduzidos pela Universidade de Granada já haviam confirmado a autenticidade dos restos atribuídos a Colombo na Catedral de Sevilha, mas sem determinar com precisão seu local de nascimento, diz o The Guardian.
Além de evidências genéticas, pesquisadores também voltaram a analisar cartas, assinaturas e registros deixados por Cristóvão Colombo ao longo de sua trajetória.
Alguns historiadores apontam que certas expressões linguísticas presentes em seus escritos podem identificar uma familiaridade maior com dialetos da Península Ibérica do que o italiano medieval, detalhe que, há décadas, alimenta teorias sobre suas verdadeiras origens.
Para historiadores, a nova pesquisa pode não encerrar o debate, mas reforça como ciência, genética e documentação histórica continuam transformando a forma como figuras do passado são compreendidas. Mais de cinco séculos após sua morte, Colombo segue cercado por mistérios, inclusive sobre sua própria identidade.
*Sob supervisão de Éric Moreira