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Descoberta revela a antiga domesticação do feijão adzuki

Descoberta arqueológica revela a domesticação do feijão adzuki na Ásia Oriental, transformando nossa compreensão sobre cultivos neolíticos

Feijão azuki carbonizado (esquerda) e fresco (direita) - Divulgação/Cai Haohong

Uma pesquisa realizada por cientistas da Universidade de Washington em St. Louis e da Universidade de Shandong, em colaboração com uma equipe internacional de especialistas atuando na China, Japão e Coreia do Sul, trouxe novas informações sobre a domesticação histórica do feijão adzuki na região da Ásia Oriental.

Os pesquisadores recuperaram restos carbonizados de feijão adzuki no sítio arqueológico Xiaogao, localizado na província de Shandong, na China, datando esses vestígios entre 9.000 e 8.000 anos atrás. Este período corresponde ao início da Era Neolítica, quando os humanos começaram a cultivar plantas e a domesticar animais para suprir suas necessidades alimentares. Os achados, publicados na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, ampliam o registro histórico deste importante legume em pelo menos 4.000 anos na região do Rio Amarelo.

Análises

O feijão adzuki (Vigna angularis) é um cultivo essencial amplamente cultivado na Ásia Oriental, sendo valorizado tanto por seu alto valor nutricional quanto por suas propriedades de fixação de nitrogênio, que enriquecem o solo. Este legume também possui importância cultural e é amplamente utilizado em diversas cozinhas até os dias atuais.

De acordo com o ‘Archaeology Magazine’, as novas evidências sugerem que os feijões adzuki foram parte integrante de um sistema agrícola diversificado no início da Era Neolítica, coexistindo com outros cultivos como milheto, arroz e soja, dentro de uma tradição agrícola bem estabelecida na região do Baixo Rio Amarelo.

A descoberta faz parte de uma análise mais ampla de restos carbonizados de feijão adzuki provenientes de 41 sítios arqueológicos em toda a Ásia Oriental, incluindo o Rio Amarelo, Japão, Coreia e sul da China. Através da combinação de dados recém-disponíveis e informações já publicadas anteriormente, os pesquisadores identificaram diferenças regionais significativas no tamanho e na utilização do feijão, oferecendo uma visão abrangente sobre a cronologia e evolução desse legume essencial.

“A nível global, houve um impulso considerável recentemente para reconhecer a domesticação das plantas como um processo prolongado e amplamente disseminado – um fenômeno que não possui centros geográficos singulares”, afirmou Xinyi Liu, professora e vice-presidente do departamento de antropologia nas Ciências Humanas da WashU.

“As trajetórias divergentes do tamanho do feijão adzuki entre o Neolítico do Rio Amarelo e o período Jomon no Japão são particularmente reveladoras, pois demonstram que as práticas culinárias e dietéticas tiveram um papel tão significativo no processo de domesticação quanto os fatores ambientais”.