“Coelho de Páscoa” do CV é preso por usar doces para atrair crianças
Ação da Polícia Militar apreendeu adulto e dois adolescentes suspeitos de promover o CV por meio da distribuição de doces

Uma ação da Polícia Militar de Mato Grosso resultou na prisão de um homem de 47 anos e na apreensão de dois adolescentes, de 13 e 17 anos, suspeitos de utilizar uma ação de Páscoa para promover o Comando Vermelho (CV) e atrair crianças e jovens para a organização criminosa. O caso ocorreu no domingo, 5, em Campo Novo do Parecis, município localizado no interior do estado, próximo a Cuiabá.
Segundo a polícia, o grupo distribuía ovos de Páscoa e kits de doces em uma praça do bairro Boa Esperança, em uma iniciativa que, à primeira vista, simulava uma ação comunitária. No entanto, de acordo com as investigações, a distribuição tinha como objetivo fortalecer a presença da facção na região e estabelecer aproximação com crianças e adolescentes.
Coelho do CV
Durante a abordagem, os policiais encontraram aproximadamente 197 ovos de Páscoa e 142 kits de doces no veículo utilizado pelos suspeitos. Parte da ação também envolvia o uso de fantasia temática de coelho da Páscoa, estratégia que teria sido empregada para chamar a atenção do público infantil e tornar a abordagem mais atrativa.
A Polícia Militar informou que os suspeitos confirmaram que a distribuição não se restringia àquele bairro e que a intenção era estender a atividade para outras áreas da cidade. A corporação também apura se há ligação entre essa ocorrência e outras operações semelhantes registradas recentemente em municípios como Barra do Garças e Primavera do Leste.
Outro ponto que chamou a atenção das autoridades foi a procedência dos produtos. Segundo o boletim, os ovos de chocolate eram de fabricação artesanal e não possuíam rótulo, identificação de origem ou prazo de validade, o que também levanta preocupação sobre possíveis riscos à saúde pública.
O caso evidencia uma estratégia já observada em outras regiões do país, em que facções criminosas buscam ampliar influência territorial por meio de ações simbólicas e assistencialistas em datas comemorativas. Ao oferecer doces e brindes em um contexto festivo, o grupo procuraria associar sua imagem a uma ideia de proteção ou pertencimento, especialmente entre jovens em situação de vulnerabilidade social.