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Cientistas identificam novo tipo de rugido em leões africanos

Descoberta de novo tipo de rugido, identificada com ajuda da IA, promete aprimorar o monitoramento de leões e apoiar programas de conservação na África

Leão macho mostrando os dentes durante rosnado / Créditos: Getty Images

Um estudo publicado em 20 de novembro na revista Ecology and Evolution revelou que leões africanos possuem mais de um tipo de rugido. Com o uso de ferramentas de inteligência artificial, especialistas desbancaram a ideia de que eles emitem apenas um único tipo de rugido.

Recebendo o nome de “rugido intermediário”, a nova vocalização foi identificada por pesquisadores da Universidade de Exeter. O estudo mostra que os leões produzem dois tipos distintos de rugido. A descoberta é importante para aprimorar o monitoramento da vida selvagem e ainda fortalece programas de conservação no continente africano.

Desafio científico

Do ponto de vista científico, conseguir compreender como os leões se comunicam sempre foi um desafio técnico. Conforme informações repercutidas pela revista Galileu, embora alguns estudos anteriores tenham revelado que cada indivíduo possui um rugido único, a capacidade de diferenciar automaticamente essas vocalizações não parecia algo viável.

Essas análises, utilizando métodos tradicionais, dependiam do julgamento de especialistas. Isso as tornava limitantes, pois estavam sujeitas a vieses humanos e ao volume de dados disponíveis.

Criação do modelo

Na tentativa de superar esse obstáculo, os pesquisadores passaram a testar um modelo capaz de reconhecer automaticamente diferentes tipos de vocalizações. A proposta era ensinar o algoritmo a separar sons que vão desde rugidos completos até grunhidos e gemidos. Para alimentar essa análise, a equipe reuniu um banco com mais de 3.000 gravações registradas em situações variadas de comportamento e ambiente.

Mesmo com tantos esforços ao longo dos anos, nenhum método disponível havia conseguido identificar esses detalhes com precisão suficiente para ser usado no monitoramento de populações selvagens. A nova abordagem, portanto, surge como uma alternativa mais robusta e promissora.

Uso de inteligência artificial

Utilizando técnicas avançadas de machine learning, os pesquisadores conseguiram diferenciar, pela primeira vez, os diferentes tipos de vocalizações dos leões. Os dados apresentados foram surpreendentes, com 95,4% de precisão.

Isso reduz de forma significativa o viés humano na análise dos registros. Além disso, possibilita uma nova alternativa para aplicações em larga escala.

Conservação e monitoramento

De acordo com o pesquisador Jonathan Growcott, o avanço representa um marco importante para o monitoramento acústico. A ideia é que os rugidos funcionam, para os leões, de maneira semelhante às digitais humanas, permitindo tanto estimar o tamanho das populações quanto acompanhar indivíduos específicos ao longo do tempo.

Além disso, a descoberta acompanha progressos recentes em estudos bioacústicos de outros grandes carnívoros, como as hienas-malhadas, e reforça o uso crescente de técnicas automatizadas como ferramenta central na pesquisa ecológica e na conservação de espécies ameaçadas. O novo método aprimorou a identificação individual dos leões, tornando o monitoramento mais rápido, preciso e menos invasivo do que técnicas tradicionais, como armadilhas fotográficas ou rastreamento por pegadas. 

A pesquisa também reforça o potencial do monitoramento acústico passivo, que utiliza microfones instalados na savana para registrar vocalizações ao longo do tempo e mapear mudanças nas populações. Segundo os autores, a melhoria dessas técnicas pode ser decisiva para estratégias de conservação de leões e de outras espécies ameaçadas.