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Bactéria da escarlatina é descoberta em múmia pré-colombiana

Crânio de uma múmia pré-colombiana foi analisado por especialistas, que encontraram a bactéria alojada em um de seus dentes

Dente mumificado - Créditos: Eurac Research/Guido Valverde

O dente de um crânio mumificado de forma natural, que está no Museu Nacional de Arqueologia de La Paz, na Bolívia, foi examinado por cientistas e os resultados, publicados na revista Nature Communications, detectaram a bactéria da escarlatina nele.

Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores usaram um método que permite reconstruir genomas desconhecidos por meio de numerosos fragmentos curtos de DNA, com isso, eles reconstruíram um genoma antigo e quase completo do Streptococcus pyogenes, explicou O Globo.

O bioquímico boliviano, Guido Valverde, disse que o DNA estava bem preservado, permitindo que reconstruíssem um genoma quase completo, fornecendo uma riqueza de informações e demonstrando que a bactéria já era capaz de causar doenças. “A cepa antiga carregava muitos, embora não todos, dos genes patogênicos encontrados em cepas modernas de Streptococcus pyogenes”.

Com a análise realizada pelos cientistas, foi possível descobrir que o genoma reconstruído possui muitas semelhanças com cepas modernas da bactéria, principalmente a responsável por causar a escarlatina, doença infecciosa e contagiosa, comum em crianças e adolescentes de 5 a 15 anos de idade e transmitida através de gotículas e contato. 

Bactéria antiga 

O estudo evidencia que a bactéria já circulava entre as populações indígenas da América do Sul antes mesmo da colonização europeia. O dente mumificado é datado do período entre 1283 e 1383 d.C, enfatizando a conclusão dos cientistas. 

Além disso, foram realizadas análises genéticas e os pesquisadores notaram que as linhagens evolutivas da maioria das cepas modernas da bactéria se multiplicaram há 5 mil anos. Segundo a pesquisa, isso pode ter facilitado a propagação e a mutação desse patógeno. 

Devido às condições climáticas, secas e frias do altiplano boliviano, o DNA da bactéria foi encontrado bem preservado. O clima do local foi um dos fatores que ajudou na mumificação natural do crânio usado no estudo, que é atribuído ao Período Intermediário Tardio, de 1.100 à 1.450 d.C.