Ativista que jogou tinta em obra de Degas é condenado a 18 meses de prisão
Ativista foi condenado por jogar tinta em vitrine que guardava escultura de Edgar Degas na Galeria Nacional de Arte, em Washington

Um ativista ambiental foi condenado a uma pena de 18 meses de prisão após jogar tinta em uma vitrine que protegia uma famosa escultura de Edgar Degas, datada do século 19, na Galeria Nacional de Arte, localizada em Washington, D.C. Este incidente, que ocorreu em 2023, se destacou como um dos atos mais controversos de ativismo climático em museus nos Estados Unidos e na Europa nos últimos anos.
Durante o ato de protesto, Tim Martin e uma colega ativista, Joanna Smith, mancharam a vitrine da obra “Pequena Dançarina de Catorze Anos” com tinta preta e vermelha. Além disso, eles desenharam símbolos naturais no pedestal da escultura, atraindo a atenção de diversos espectadores que estavam presentes no local.
De acordo com o portal New York Times, o julgamento de Martin aconteceu em abril no Tribunal Distrital dos EUA para o Distrito de Columbia. Um júri considerou-o culpado por conspiração para cometer um crime e por danificar uma obra em exibição na galeria.
A decisão da juíza
A juíza Amy Berman Jackson proferiu a sentença recentemente, levando em conta os meses já cumpridos por Martin sob custódia desde o final do julgamento. A magistrada também determinou que ele e Smith arcassem com um valor superior a 4 mil dólares, correspondente aos custos de reparação da vitrine e do pedestal danificado. Joanna Smith já havia aceitado um acordo judicial anteriormente e recebeu uma pena de 60 dias de prisão.
A defesa de Martin, liderada pela advogada Elizabeth Mullin, optou por não comentar sobre o caso publicamente. Entretanto, em documentos judiciais, a defesa mencionou que Martin está agora “determinado a encontrar formas legais para expressar suas preocupações legítimas” sobre as mudanças climáticas.
A condenação representa uma tendência crescente de punições severas contra ativistas climáticos que têm utilizado obras-primas artísticas como plataforma para amplificar suas mensagens. Recentemente, dois ativistas foram condenados a penas significativas após atacarem a famosa pintura “Girassóis” de Vincent van Gogh na National Gallery em Londres. Um deles recebeu uma sentença de dois anos, enquanto o outro foi sentenciado a 20 meses.
Em outros incidentes semelhantes, alguns manifestantes receberam sentenças menos rigorosas. Por exemplo, em Viena, as autoridades decidiram arquivar um caso contra manifestantes que jogaram líquido preto em uma pintura de Gustav Klimt após chegarem a um acordo financeiro para cobrir os custos associados ao incidente.
Reação do grupo
O grupo Climate Rights International classificou a sentença imposta a Martin como “excessivamente severa”, ressaltando o perigo crescente à liberdade de expressão e ao ativismo ambiental. Martin e Smith pertencem à organização Declare Emergency, que promove ações não violentas para exigir medidas governamentais efetivas no combate às mudanças climáticas.
O Ministério Público dos EUA solicitou ao tribunal uma pena máxima de cinco anos para Martin, argumentando que suas ações resultaram em danos reais à galeria e na necessidade de intensificação das medidas de segurança. Após a condenação, o escritório do promotor declarou que protegerá incansavelmente os tesouros nacionais, enfatizando a importância da preservação das obras inestimáveis expostas na Galeria Nacional.
Por sua vez, o advogado de Martin pediu clemência ao tribunal e argumentou que seu cliente nunca teve a intenção de destruir a obra artística. Ele descreveu Martin como um homem inteligente e sensível que se preocupa com sua família e comunidade. O advogado observou ainda que o período passado na prisão fez Martin refletir sobre suas ações e suas consequências.