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Artefato cristão pode reescrever a história do batismo

Artefato raro descoberta às margens do Mar da Galileia sugere ritual cristão até então desconhecido e lança nova luz sobre práticas litúrgicas

Artefato Mármore capa
Artefato batismal em mármore do Império Bizantino - Eisenberg et Al/Palestine Exploration Quarterly

Uma descoberta arqueológica recente nas proximidades do Mar da Galileia, em Israel, pode alterar o entendimento histórico sobre os primeiros ritos cristãos de batismo. Pesquisadores encontraram um artefato de mármore com cerca de 1,4 mil anos, cuja estrutura incomum indica a existência de uma prática litúrgica até então não documentada.

A peça foi localizada nas ruínas da antiga cidade de Hippos, importante centro cristão do período bizantino e região diretamente associada, nos evangelhos, ao ministério de Jesus. O objeto consiste em um bloco retangular de mármore com três cavidades hemisféricas, encontrado ao lado de uma pia batismal em uma sala cerimonial destinada ao batismo de crianças e bebês.

Segundo os arqueólogos, a configuração do artefato não encontra paralelo conhecido em outros sítios cristãos antigos. A hipótese mais aceita é que as três cavidades eram utilizadas para armazenar três óleos sagrados distintos, empregados em uma forma de batismo por tripla imersão ou por uma sequência ritual mais complexa do que a tradição conhecida até hoje.

Batismo cristão

Em geral, os registros históricos apontam para o uso de duas unções no rito batismal cristão antigo: uma antes e outra depois da imersão em água. A presença de três compartimentos, no entanto, sugere que comunidades locais podem ter desenvolvido uma tradição própria, hoje perdida nos documentos escritos.

A descoberta foi descrita pelos pesquisadores como um raro vislumbre de práticas regionais do cristianismo primitivo. De acordo com Michael Eisenberg, da Universidade de Haifa, o achado pode preencher lacunas importantes sobre a formação dos rituais cristãos durante o período bizantino, especialmente em uma área considerada central para a história da fé cristã.

O contexto da preservação também chamou atenção. A sala onde o objeto foi encontrado foi soterrada após um terremoto em 749 d.C., o que acabou protegendo tanto o mármore quanto outros objetos litúrgicos por mais de um milênio. Entre eles, arqueólogos também localizaram um grande candelabro de bronze e um relicário de mármore.

Mais do que um simples achado material, a peça reforça a ideia de que o cristianismo dos primeiros séculos não era completamente uniforme. Diferentes comunidades desenvolveram variações locais de culto, muitas das quais não chegaram aos textos oficiais da tradição religiosa.

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e nerd desde o berço, sou dono de uma mente inquieta que sempre tem mais perguntas que respostas. Vez ou outra, você pode ler textos meus sobre curiosidades históricas, música, ciência e cultura pop.