Arqueólogos descobrem antigo mosteiro medieval em Borken, na Alemanha
Escavações em Borken, na Alemanha, revelam que o terreno do novo centro de saúde guarda segredos que vão desde a era medieval até a Segunda Guerra

Um trabalho arqueológico de meses revelou as ruínas de um antigo mosteiro medieval no centro histórico de Borken, na Alemanha. O terreno, que agora deve receber um novo centro de saúde e um edifício da Caritas, testemunhou diversas camadas de ocupação ao longo de centenas de anos.
Entre os achados principais, estão as fundações da igreja do antigo Mosteiro de Marienbrink, que data do final da Idade Média. As estruturas impressionam pelo porte: paredes de 1,25 metro de largura e fundações que atingem 1,60 metro de altura.

Construída com tijolos vermelhos e argamassa de cal, a base da igreja permaneceu bem preservada ao longo dos séculos. Isso aconteceu graças a espessas camadas de entulho que cobriram a alvenaria, servindo como um “escudo” protetor para as pedras originais.
Cotidiano e arqueologia
Além da igreja, foram encontrados vestígios da vida comum na região. Arqueólogos documentaram adegas de antigas residências, marcas de postes de madeira e até uma vala para carcaças de animais.
Fragmentos de cerâmica recuperados no solo indicam que a ocupação no local foi contínua desde o final da Alta Idade Média. A área fica próxima à Igreja de São Remígio, que existe desde o ano 800, sugerindo que camadas ainda mais profundas podem esconder segredos históricos.
Marcas da guerra
De acordo com informações da revista Archaeology News, a história do local também revela períodos mais recentes e sombrios. Após a demolição do mosteiro no início do século 19, em 1818, uma sinagoga foi erguida no mesmo terreno. O templo, porém, foi destruído pelos nazistas em 1938, durante os ataques da Noite dos Cristais.
As escavações também identificaram um bunker antiaéreo da Segunda Guerra Mundial, que se estende por grande parte da área de obras.
Até agora, os arqueólogos não encontraram marcas da sinagoga durante as escavações, mas os trabalhos no local devem continuar. Essa nova descoberta mostra para os pesquisadores que o solo de Borken é como um livro de história e pode conter mais camadas de períodos marcantes.
- Sob supervisão de Giovanna Gomes