Arqueólogos acham ‘zona de naufrágios’ antiga na Líbia
Retomando as escavações, arqueólogos encontram extensa faixa submarina que foi um cenário trágico para diversas embarcações na Antiguidade

Cientistas da Universidade de Varsóvia anunciaram recentemente a localização de uma extensa área de naufrágios. A descoberta ocorreu nas proximidades da cidade de Ptolemaida, no norte da Líbia.
Inicialmente, a equipe identificou uma faixa submarina de mais de 100 metros tomada por destroços. Consequentemente, o achado indica que esse trecho do Mediterrâneo foi um cenário constante de tragédias marítimas na Antiguidade.
Desafios da navegação
De acordo com informações da revista Galileu, os navios que tentavam acessar o porto de Ptolemaida enfrentavam obstáculos naturais severos. Isso ocorria porque a região possuía uma zona costeira rochosa e muito rasa.
Ainda segundo o pesquisador Bartosz Kontny informou à agência de notícias oficial da Polônia, as transformações geográficas explicam a atual submersão das ruínas. Afinal, o nível do mar subiu e os terremotos aceleraram o processo de erosão no local ao longo dos séculos.
Durante os mergulhos, a equipe encontrou trechos de estradas alagadas, colunas e âncoras abandonadas. Além disso, as análises revelaram partes das cargas transportadas pelos navios.
O item de maior destaque é um contrapeso de balança romana, feito de bronze no formato de uma cabeça feminina. Paralelamente, os cientistas recuperaram ânforas com vestígios de vinho cristalizado.
Achados em terra firme
Por outro lado, as explorações também trouxeram resultados significativos fora da água. Na acrópole de Ptolemaida, os especialistas descobriram uma estrada inédita do século 3 d.C. Somado a isso, foram mapeados vestígios de torres de observação militares e um raro marco quilométrico romano com inscrições em grego.
Vale ressaltar que as pesquisas no sítio arqueológico ficaram suspensas por 13 anos devido à guerra civil na Líbia. A retomada aconteceu apenas em 2023, permitindo novos avanços. Atualmente, os especialistas dedicam-se também à conservação de peças resgatadas em expedições anteriores, como pinturas bizantinas.
Para o arqueólogo Piotr Jaworski, o potencial científico da antiga cidade é vasto e ainda está na fase inicial de descoberta. Desse modo, o objetivo da missão é garantir linhas de investigação robustas para as futuras gerações de pesquisadores.
*Sob supervisão de Éric Moreira