Arara-azul reaparece em lista nacional de espécies ameaçadas
Ministério do Meio Ambiente oficializa retorno de aves e mamíferos ao grupo de risco em atualização que reflete impactos de incêndios e do tráfico

O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) publicou, no dia 18 de junho de 2026, a nova Lista Nacional Oficial de Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção. A atualização, baseada em avaliações conduzidas pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), reinseriu cerca de 180 espécies e subespécies que voltaram a apresentar agravamento em seus quadros populacionais. O maior destaque é o retorno da arara-azul-grande, classificada agora como vulnerável após ter passado doze anos fora da relação oficial de animais em perigo.
Crise no habitat pantaneiro
A volta da espécie ao grupo de risco é atribuída principalmente à perda de habitat causada por queimadas severas no Pantanal e ao avanço do desmatamento. Os incêndios destruíram ninhos e comprometeram a saúde das aves, resultando em filhotes com lesões de pele e maior frequência de nanismo.
A bióloga Neiva Guedes, fundadora do Instituto Arara Azul, explicou em entrevista ao veículo RCN67 que a arara-azul é extremamente especialista e sensível, pois depende de poucas espécies de árvores para alimentação e abrigo que foram consumidas pelo fogo.
Novos números da fauna
De acordo com o balanço divulgado pela CNN Brasil, a nova listagem reúne agora um total de 790 espécies ameaçadas. O grupo dos invertebrados terrestres lidera o ranking de risco com 264 registros, seguido pelas aves, com 242, e pelos mamíferos, com 102.
Além da arara-azul, o bugio-preto e o tamanduaí também retornaram à lista oficial. Para o ministro João Paulo Capobianco, conforme nota oficial no portal Gov.br, a publicação com segurança técnica é fundamental para abrir caminho para a construção de novos planos de recuperação e conservação para as futuras gerações.
Tráfico e mudanças climáticas
Além dos fatores ambientais, o tráfico de animais silvestres continua sendo um motor de pressão constante sobre a biodiversidade brasileira. Em declaração ao veículo Mongabay, especialistas ressaltaram que variações extremas de temperatura no Pantanal podem interromper o ciclo de incubação, matando embriões e filhotes.
O monitoramento do Instituto Arara Azul também detectou uma mudança na dinâmica criminosa: o foco do tráfico migrou das aves adultas para a captura ilegal de ovos em aeroportos e fronteiras. Apesar do alerta, o MMA informou que 150 espécies deixaram a lista de ameaçadas graças ao avanço do conhecimento científico e à melhora efetiva no estado de conservação de algumas populações.
*Sob supervisão de Giovanna Gomes