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Lagartas tóxicas e calor extremo desafiam saúde pública na Alemanha

Sob onda de calor de 40 graus, Berlim mobiliza trajes especiais contra praga impulsionada pelo aquecimento acelerado do continente europeu

Infestações da lagarta processionária-do-carvalho têm se tornado mais frequentes na Alemanha - Foto: Pixabay

A Alemanha enfrenta em junho de 2026 um cenário de emergência sanitária que une temperaturas recordes e uma infestação sem precedentes de lagartas-processionárias-do-carvalho. O país, que viu o termômetro atingir os 40°C nesta semana, lida com o fechamento de escolas e parques em Berlim enquanto equipes de limpeza, vestidas com trajes de proteção química, tentam conter o avanço dos ninhos. O fenômeno é um sintoma direto de um continente que aquece a uma taxa de 0,56°C por década, o dobro da média global, conforme dados do relatório Estado do Clima na Europa.

O clima ferve

A onipresença desses insetos está intrinsecamente ligada à crise climática. De acordo com o Robert Koch Institute (RKI), as mudanças ambientais estão alterando a frequência e a gravidade de doenças alérgicas em todo o território alemão. O pesquisador Dominik Wonsack, ligado a órgãos estatais de pesquisa florestal, explicou em declaração ao portal de notícias Tagesschau que “anos quentes e secos favorecem diretamente a sobrevivência e a expansão desta espécie”. 

O aumento das temperaturas mínimas nos invernos permitiu que as larvas colonizassem áreas antes frias demais para sua sobrevivência, transformando o que era um problema sazonal em uma crise persistente.

Ameaça microscópica aérea

O perigo reside nos 600 mil pelos microscópicos de cada larva, que contêm a toxina taumetopoeína. Essas cerdas, que podem ser levadas pelo vento por longas distâncias, penetram na pele e nas mucosas, causando inflamações graves e dificuldades respiratórias

Em áreas como Jungfernheide, a situação saiu do controle com lagartas se espalhando pelas paredes de prédios e carros. “O monitoramento deve ser contínuo, pois ninhos abandonados podem ser perigosos por anos”, alerta o oficial Florian Pietsch, do departamento de áreas verdes, conforme repercute o Terra.

Resposta oficial

Apesar do alarme urbano, a infraestrutura turística tenta manter a normalidade. Tobias Maul, porta-voz da agência Visit Berlin, confirmou ao veículo eTurboNews que monumentos como o Portão de Brandemburgo seguem operacionais, embora a vigilância tenha sido redobrada. No manejo prático, o diretor Matthias Scheider reforça que a retirada dos ninhos exige aspiração industrial e trajes de proteção total, similares aos usados na remoção de amianto. 

Conforme o Serviço Meteorológico Alemão (DWD), o sistema de alerta precoce agora integra dados biológicos desses insetos, evidenciando que o manejo de pragas tornou-se peça central da adaptação urbana frente ao aquecimento global.


*Sob supervisão de Éric Moreira

Meu propósito é dar voz a narrativas.