Anéis de árvores ajudaram a rastrear tempestade solar de 800 anos
Anéis de árvores e escritos medievais auxiliaram pesquisadores a rastrear uma tempestade solar de 800 anos

De forma inesperada, os anéis das árvores, juntamente com registros do diário de um poeta japonês, foram fundamentais para rastrear uma tempestade solar de 800 anos e reconstruir ciclos solares passados.
O poeta japonês, Fujiwara no Teika, registrou em seu diário, em fevereiro de 1204, o momento em que presenciou estranhas luzes vermelhas iluminando o céu noturno durante três noites.
Mais de 800 anos após esse ocorrido, seu diário, juntamente com outras fontes históricas e os anéis de árvores, foram essenciais para ajudar os pesquisadores a rastrear o evento solar histórico anos antes do observado por Teika.
O estudo, publicado em 10 de abril no Proceedings of the Japan Academy, Series B, apresenta uma nova abordagem para rastrear eventos semelhantes em tempos remotos e também sugere que o ciclo de atividade solar era alguns anos mais curto no início do século 13 do que é hoje.
Quando o sol se torna muito ativo, ele pode expelir plasma para o espaço e lançar partículas de alta energia em direção à Terra a até 90% da velocidade da luz. Essas tempestades de radiação induzidas pela energia solar são chamadas de eventos de prótons solares, ou SPEs, informou o Smithsonian Magazine.
O nosso planeta é protegido da maior parte das partículas nocivas do sol, devido a nossa bolha magnética, mas os astronautas continuam vulneráveis. Segundo comunicado, duas missões da Nasa quase foram atingidas em 1972, quando um evento de SPEs lançou radiação em direção ao Apollo 16 e 17.
A coautora do estudo, Hiroko Miyahara, contou que a exposição à radiação causada por eventos de prótons solares é a maior barreira à exploração espacial humana. “Portanto, é essencial aprimorar nossa capacidade de previsão, principalmente para eventos de grande porte”, completou para a Discover.
Anéis de árvores
Às vezes, algumas partículas de alta energia conseguem atravessar o escudo magnético da Terra e interagir com gases na atmosfera, resultando em raros átomos como o carbono-14. As árvores são capazes de absorver a versão radioativa do carbono, registrando o EPS em seus anéis.
A busca por esse átomo em árvores funciona para identificar tempestades solares intensas. Os SPEs mais leves exigem um método mais demorado.
O diária de Teika abriu portas para essa investigação, ele escreveu sobre “luzes vermelhas no céu do norte sobre Kyoto”, em fevereiro de 1204. As auroras costumam desaparecer em 24 horas, o evento relatado por Teika durou três dias seguidos, sugerindo que ocorreram grandes erupções solares recorrentes, que podem ter desencadeado a SPEs, explicou Miyahara.
Além disso, registros históricos do Japão, China, Coréia, Itália, França e Alemanha indicavam que o Sol era muito ativo entre os séculos 12 e 13, fazendo as equipes se concentrarem em reconstituir os ciclos solares desse período usando o método do carbono-14.
Ao examinarem o carbono radioativo nos anéis das árvores, eles não encontraram nenhuma evidência de SPEs associado ao evento que o poeta descreveu, mas identificaram um pico de carbono-14 relacionado a uma tempestade solar ocorrida em algum momento entre 1200 e 1201. Esse evento coincidiu com uma aurora vermelha registrada por pessoas na China.
O outro coautor do estudo, Kazuaki Yamamoto, disse que esses fenômenos sempre foram documentados porque acreditava-se que afetavam a vida das pessoas e estavam ligados à adivinhação.
A reconstituição da atividade solar da época, com auxílio das manchas solares e os padrões de carbono-14, revelou que os ciclos solares duravam de sete a oito anos.
Os pesquisadores descobriram que o evento de explosão solar do século 13 aconteceu no auge de um dos ciclos solares. Com base nos anéis, o evento foi 14 vezes mais intenso do que o de fevereiro de 1956, a maior tempestade solar já registrada a partir da superfície da Terra.
A pesquisadora de anéis de árvores, Charlotte Pearson, disse á Scientific Science que o estudo ajuda a construir um panorama de atividade solar passada, muito além dos registros medidos e observacionais, e o que é especialmente interessante é que você obtém dois registros pelo preço de um. “Você obtém eventos solares e ciclos solares com detalhes ano a ano”.
“Abordagens integradas como essas são necessárias para reconstruir com precisão a atividade solar passada, ajudando-nos a compreender melhor as características dos fenômenos climáticos espaciais extremos”, finalizou Miyahara no comunicado.
*Sob supervisão de Giovanna Gomes