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Aluno da USP desaparece em combate na Guerra da Ucrânia

Igor de Aguiar Amazonas, de 23 anos, foi lutar pela Ucrânia em 2025, e está desaparecido desde 4 de abril; família diz ter recebido informação extraoficial de morte

Igor de Aguiar Amazonas / Crédito: Reprodução/Edson Holanda

O estudante de direito da Universidade de São Paulo (USP) Igor de Aguiar Amazonas, de 23 anos, está oficialmente desaparecido desde um combate na Guerra da Ucrânia ocorrido em 4 de abril, segundo informações repassadas à família pela Embaixada do Brasil no país. A mãe do jovem, Dolores Amazonas, afirmou, no entanto, ter recebido por outras fontes a notícia de que o filho morreu no front.

Aluno da Faculdade de Direito do Largo São Francisco, Igor cursava o segundo ano do curso e havia viajado para a Ucrânia em 30 de julho do ano passado. De acordo com a mãe, Dolores, a família foi informada sobre o desaparecimento por e-mail enviado pela embaixada em 10 de abril.

“Segundo eles, esse desaparecimento teria ocorrido no dia 4 de abril. No entanto, por outras fontes, recebi a informação de que ele faleceu“, afirmou Dolores. “Pelo que nos foi explicado, como ele estava no front, em uma área de difícil acesso, o corpo não pôde ser resgatado. Por isso, a situação permanece registrada como desaparecimento“, disse a mãe.

Fontes diplomáticas confirmaram à imprensa que Igor segue registrado oficialmente como desaparecido. Nesta semana, uma pessoa próxima da família e um grupo de estudos da faculdade do qual ele participava divulgaram notas de pesar tratando o caso como falecimento.

Igor de Aguiar Amazonas

Natural de Santana do Parnaíba, na região metropolitana de São Paulo, Igor ingressou em 2024 na Faculdade de Direito da USP após já ter sido aprovado anteriormente em administração na USP de Ribeirão Preto. Segundo a mãe, ele chegou a presidir o centro acadêmico do curso anterior antes de decidir prestar vestibular novamente para mudar de área.

Dolores descreveu o filho como alguém marcado pelo senso de justiça e pela disposição de ajudar os outros. “O Igor era um jovem movido por coragem, generosidade e um senso profundo de justiça. Ele não conseguia ser indiferente à dor de ninguém, se alguém precisava, ele ajudava com o que tinha, mesmo que fosse tudo”, disse.

Ela também relembrou episódios da juventude do estudante para destacar seu perfil de liderança. “Como mãe, o que eu posso dizer é que o mundo pode chamá-lo de herói pela coragem, mas eu o chamo de herói pelo coração. A dor da ausência é imensa, mas o amor que nos une é eterno. Tenho fé de que ele está com Deus, e isso é o que me sustenta.”

Em maio do ano passado, Igor contou a colegas do Nexo Governamental 11 de Agosto, grupo de extensão da faculdade voltado ao estudo dos Três Poderes, que pretendia viajar para lutar na guerra. Segundo Liliane Castro dos Santos, presidente do grupo, o estudante afirmou que queria ir ao conflito para se “tornar melhor enquanto ser humano”.

O caso ainda depende de esclarecimentos sobre as circunstâncias do desaparecimento e sobre a possibilidade de recuperação do corpo na área de combate. Enquanto isso, a família aguarda novas informações oficiais sobre o paradeiro do jovem, repercute a Folha de S. Paulo.

Éric Moreira é jornalista, formado pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo. Passa a maior parte do tempo vendo filmes e séries, interessado em jornalismo cultural e grande amante de Arte e História.