3I/ATLAS: cometa pode emitir raios X — algo jamais visto antes
Astrônomos detectam emissão de radiação de alta energia no 3I/ATLAS, um fenômeno observado antes apenas em cometas nativos

O cometa 3I/ATLAS, originário de fora do Sistema Solar, acaba de surpreender a comunidade científica ao registrar emissão de raios-X, algo nunca antes observado em um objeto interestelar.
Observações recentes feitas por um telescópio espacial especializado em raios-x indicam que o cometa apresenta um brilho energético em torno de sua coma, a nuvem de gás e poeira que o envolve, marcando a primeira detecção desse tipo em um visitante vindo de outro sistema estelar.
A detecção foi possível graças à missão de imageamento e espectroscopia de raios-X operada em conjunto por agências espaciais internacionais. Essa missão direcionou seus instrumentos para o cometa 3I/ATLAS depois que ele se afastou o suficiente do brilho intenso do Sol, permitindo uma observação segura e detalhada.
Os dados recolhidos mostram um halo fraco, mas consistente, de emissão de alta energia que se estende por centenas de milhares de quilômetros ao redor do núcleo do 3I/ATLAS — uma assinatura que, até agora, só havia sido registrada em cometas que se originaram no próprio Sistema Solar.
Radiação no 3I/ATLAS
A emissão de raios-x em cometas é um fenômeno conhecido, mas raro: ela ocorre quando o vento solar, um fluxo de partículas carregadas emitidas pelo Sol, colide com o gás neutro da coma. Essas interações arrancam elétrons dos átomos do cometa, acelerando partículas e provocando a liberação de radiação de alta energia.
Apesar de já ter sido detectada em cometas do Sistema Solar desde os anos 1990, a observação desse fenômeno em um objeto interestelar é um marco, pois oferece uma nova maneira de estudar a composição e as características desses viajantes antigos que se formaram e evoluíram em ambientes estelares diferentes.
O cometa 3I/ATLAS está em trajetória hiperbólica, o que confirma sua origem fora da influência gravitacional do Sol e significa que ele continuará sua jornada pelo espaço profundo depois de passar pelo Sistema Solar. Sua maior aproximação à Terra está prevista para ocorrer ainda neste mês de dezembro, em uma distância segura de cerca de 270 milhões de quilômetros.
*Sob supervisão de Fabio Previdelli