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20 anos após cativeiro, Natascha Kampusch leva vida reclusa

Duas décadas depois de fugir do sequestro que a manteve presa, Natascha Kampusch tenta manter rotina longe dos holofotes

Natascha Kampusch capa
Natascha Kampusch - Getty Images

Duas décadas após escapar de um dos casos de sequestro mais chocantes da história recente da Europa, a austríaca Natascha Kampusch hoje leva uma vida marcada pela discrição e pelo afastamento da vida pública. Segundo relatos de familiares, ela passou a viver cada vez mais isolada, concentrada em uma rotina própria e distante da exposição midiática que marcou os anos seguintes à sua fuga.

Kampusch se tornou conhecida mundialmente em 2006, quando conseguiu escapar do cativeiro em que havia passado mais de oito anos presa. Ela foi sequestrada em 2 de março de 1998, quando tinha apenas 10 anos, a caminho da escola em Viena, na Áustria. O responsável pelo crime foi Wolfgang Přiklopil, um técnico em telecomunicações que a manteve confinada em um pequeno quarto subterrâneo na casa onde morava.

Durante o período em que esteve desaparecida, a menina permaneceu praticamente isolada do mundo exterior, submetida a condições extremas de confinamento e abuso psicológico. O cativeiro terminou em 23 de agosto de 2006, quando Kampusch conseguiu aproveitar um momento de distração do sequestrador para fugir da residência e pedir ajuda. Pouco depois da fuga, Přiklopil morreu ao se jogar diante de um trem.

Liberdade de Kampusch

A libertação da jovem provocou enorme repercussão internacional e levou a uma revisão das investigações conduzidas pela polícia austríaca durante os anos em que ela esteve desaparecida. Falhas na apuração inicial do caso foram posteriormente apontadas como possíveis fatores que poderiam ter atrasado sua libertação.

Nos anos que se seguiram, Kampusch tentou reconstruir a vida e chegou a participar de entrevistas e projetos públicos. Em 2010, lançou a autobiografia “3096 Dias”, título que faz referência ao número exato de dias em que permaneceu em cativeiro. A obra relata em detalhes o período anterior ao sequestro, a experiência de confinamento e os desafios enfrentados no processo de readaptação à sociedade após a fuga.

Apesar dessas iniciativas, pessoas próximas afirmam que a austríaca passou a adotar um estilo de vida cada vez mais reservado. De acordo com sua irmã, Kampusch vive hoje “em seu próprio mundo”, mantendo distância da exposição pública e preservando ao máximo a privacidade conquistada depois de anos sob intensa atenção da imprensa.

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e nerd desde o berço, sou dono de uma mente inquieta que sempre tem mais perguntas que respostas. Vez ou outra, você pode ler textos meus sobre curiosidades históricas, música, ciência e cultura pop.