Segundo a Cowessess First Nation, essa é a descoberta "mais significativa" na história recente do país e foi feita semanas depois da revelação de 215 cadáveres de crianças sob um internato
Pamela Malva Publicado em 24/06/2021, às 17h00
No final de maio, o mundo se surpreendeu com a descoberta dos restos mortais de 215 crianças sob uma escola residencial na Colúmbia Britânica, no Canadá. Agora, quase um mês mais tarde, uma nação indígena revelou ter encontrado outras 751 sepulturas não identificadas, dessa vez em uma antiga escola em Saskatchewan, segundo a BBC.
"Este não é um local de sepultura coletiva. Estas são sepulturas não marcadas", disse Cadmus Delorme, chefe da Cowessess First Nation. Segundo o representante, os túmulos podem ter sido marcados em algum momento, mas existe a possibilidade de que a Igreja Católica tenha removido as identificações em determinado momento.
Por esse motivo, inclusive, Delorme e sua equipe ainda não conseguiram identificar se todas as sepulturas pertenciam a crianças. Para a Cowessess First Nation, instituição responsável pela descoberta, todavia, essa é "a mais significativa até hoje no Canadá".
A organização começou a investigar a região no mês passado, em busca de túmulos não identificados. Nesse sentido, as 751 sepulturas marcam apenas a primeira parte das expedições no cemitério da Escola Residencial Indígena Marieval, em Saskatchewan.
Diante da recente descoberta, o primeiro-ministro do Canadá Justin Trudeau disse estar "terrivelmente triste". Em comunicado oficial, ele afirmou que o achado marca "uma lembrança vergonhosa do racismo, discriminação e injustiça sistêmica que os povos indígenas têm enfrentado".
Por enquanto, a Cowessess ainda não sabe se todos os restos mortais presentes nos túmulos estão ligados à instituição. Ainda assim, a Escola Residencial Indígena Marieval foi uma das muitas administradas pela Igreja Católica Romana entre 1899 e 1997.
De acordo com a BBC, a escola era um dos mais de 130 internatos financiados pelo governo canadense naquela época, cujo objetivo dessas instituições era assimilar a juventude indígena. Sua história, todavia, foi marcada por episódios contraditórios.
No total, estima-se que 6 mil crianças morreram entre os séculos 19 e 20, enquanto frequentavam as escolas residenciais, vítimas de péssimas condições estruturais. Além das instalações precárias, também existem registros de abusos físicos e sexuais cometidos por autoridades das escolas, o que teria causado a fuga de diversos alunos.
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