Navio bizantino com tesouro de ouro intriga arqueólogos na Croácia
Joias, moedas e um anel imperial encontrados em naufrágio indicam que embarcação transportava uma figura de alta posição no Império Bizantino

Um navio da era bizantina encontrado no fundo do mar, próximo à ilha de Mljet, na costa sul da Croácia, revelou um dos conjuntos de artefatos mais valiosos já recuperados de um naufrágio no Mediterrâneo. Segundo arqueólogos, a embarcação, que teria afundado entre os séculos 7 e 8, transportava uma pessoa de alta patente acompanhada por sua comitiva.
Os resultados da análise dos materiais recuperados foram anunciados na última quinta-feira, 23, após mais de uma década de pesquisas conduzidas pelo Instituto de Conservação da Croácia. Entre os objetos encontrados estão moedas de ouro, joias ornamentadas e um anel de sinete que ajudam a reconstruir a história da embarcação e de seus ocupantes.
Objetos indicam passageiro de alto escalão
Os pesquisadores afirmam que os artefatos encontrados afastam a hipótese de que o navio fosse apenas uma embarcação mercante.
Entre as peças recuperadas estão moedas de ouro cunhadas durante a dinastia Heráclida, pertencentes ao período de quatro imperadores bizantinos. Também foram encontradas fivelas decoradas com rubis, esmeraldas e pérolas, além de um anel de sinete de ouro que traz a imagem de um imperador.
Segundo Pavle Dugonjic, chefe do Departamento de Arqueologia Subaquática do Instituto de Conservação da Croácia, o anel demonstra o elevado status de seu proprietário.
“Certamente não seria usado por qualquer pessoa”, afirmou o arqueólogo à Reuters.
Década de pesquisas revelou tesouro
Equipados com equipamentos de mergulho, os arqueólogos passaram os últimos dez anos investigando os destroços do navio e recuperando os objetos preservados no fundo do mar.
De acordo com Igor Miholjek, chefe da pesquisa do Instituto de Conservação da Croácia, a quantidade de ouro encontrada impressiona até mesmo especialistas em arqueologia subaquática.
“Há uma quantidade impressionante de ouro, a maior já encontrada em um naufrágio em todo o Mediterrâneo”, afirmou. Segundo ele, o conjunto pesa mais de 600 gramas após os trabalhos de limpeza e restauração.
Os pesquisadores acreditam que a riqueza transportada pela embarcação reforça a hipótese de que o navio levava uma figura importante do Império Bizantino, acompanhada por pessoas de seu círculo.
Naufrágio ajuda a compreender o fim de uma era
O Império Bizantino, sucessor do Império Romano e com capital em Constantinopla, atual Istambul, dominou grande parte do Mediterrâneo oriental. No entanto, entre os séculos 7 e 8 enfrentava um período de instabilidade política e perda de territórios.
Para Justin Leidwanger, professor de Arqueologia da Universidade Stanford, o sítio arqueológico representa uma das descobertas mais importantes relacionadas a esse período histórico.
“É o naufrágio mais importante do seu período”, afirmou. Segundo o pesquisador, o local oferece informações valiosas para compreender como o Mediterrâneo era conectado por rotas marítimas, como essas conexões se fragmentaram ao longo do tempo e de que forma ocorreu a transição entre o fim do Império Romano tardio e o surgimento do mundo medieval.
*Sob supervisão de Giovanna Gomes