Leilão anuncia bolsa feita com “colágeno” de T. Rex
Material foi desenvolvido em laboratório a partir de uma sequência reconstruída de colágeno inspirada no Tyrannosaurus Rex

Uma bolsa avaliada em até 500 mil euros (cerca de R$ 2,9 milhões) promete chamar a atenção não apenas pelo preço, mas também pela tecnologia empregada em sua fabricação. O acessório foi produzido com um biomaterial cultivado em laboratório a partir de uma sequência reconstruída de colágeno inspirada no Tyrannosaurus Rex, em um projeto que combina paleontologia, biotecnologia e engenharia de tecidos.
O desenvolvimento foi conduzido pela The Organoid Company e pela Lab-Grown Leather Ltd., em parceria com a agência de marketing VML. Apesar da divulgação do produto como uma bolsa de “couro de T. Rex”, o material não foi obtido de fósseis preservados. Na prática, os pesquisadores reconstruíram uma versão plausível da proteína colágeno do dinossauro com base em fragmentos fossilizados e em sequências de colágeno tipo 1 de galinhas, parentes vivos mais próximos das aves pré-históricas.
Inspirações no T. Rex
Segundo o site The Scientist, essa combinação foi necessária porque os fragmentos de proteína preservados em fósseis ainda são insuficientes para reconstituir integralmente a sequência original do animal. A inteligência artificial ajudou a preencher essas lacunas, produzindo uma aproximação da proteína ancestral.
Depois de reconstruir a sequência, os cientistas a introduziram em células de mamíferos, cultivadas em uma plataforma de bioengenharia capaz de estimular a produção de colágeno. O resultado foi uma derme artificial com estrutura química semelhante à de um tecido biológico. Após nove meses de desenvolvimento e um processo convencional de curtimento, surgiu um material de superfície irregular e textura semelhante à do couro.
O design da bolsa ficou a cargo da marca de techwear Enfin Levé, enquanto a casa de leilões parisiense Auctioneers Giquello estimou seu valor entre 300 mil e 500 mil euros (1.7 a 2.9 milhões de reais).
Para os pesquisadores, porém, o acessório representa mais do que uma peça de luxo. A tecnologia poderá contribuir para o desenvolvimento de alternativas ao couro sintético produzido com plásticos, ampliando o uso de biomateriais em aplicações comerciais e científicas. Segundo a paleontóloga Mary Schweitzer, que participou dos primeiros estudos sobre peptídeos de colágeno de T. rex, o objetivo é mostrar que moléculas antigas podem servir de base para pesquisas com potencial de gerar benefícios concretos, muito além das comparações com histórias como Jurassic Park.