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Estudo aponta que mais da metade das aves migratórias se encontra em declínio

Mais da metade de todas as espécies de aves migratórias existentes no planeta se encontra atualmente em declínio, conforme novo levantamento

O maçarico-de-bico-de-colher (Eurynorhynchus pygmeus, atualmente Calidris pygmaea) - Crédito: Getty Images

Um novo levantamento que levou em conta as aves migratórias revelou que mais da metade das espécies existentes no mundo se encontra em declínio populacional. O artigo foi publicado na revista Nature Reviews Biodiversity no último dia 23 e é assinado por pesquisadores da Universidade de Georgetown, nos Estados Unidos, do Zoológico Nacional Smithsonian e do Instituto de Biologia da Conservação (EUA), que atuaram em parceria com ornitólogos oriundos de diferentes países.

Segundo a revisão científica, aproximadamente 51% das espécies migratórias apresentam redução no número de indivíduos ao longo das principais rotas de migração do planeta. Além disso, quase 300 espécies já são consideradas globalmente ameaçadas de extinção.

Os pesquisadores, no entanto, alertam que o problema não se restringe às espécies oficialmente ameaçadas. Afinal, aves que até pouco tempo eram comuns também vêm registrando quedas expressivas em suas populações.

Um grande desafio

Conservar esses animais representa um desafio particular porque eles percorrem milhares de quilômetros todos os anos, cruzando continentes, oceanos e fronteiras políticas e, como destaca o portal Galileu, ao longo dessas jornadas, as aves ficam expostas a diversas ameaças. Entre os principais fatores responsáveis pelo declínio populacional estão a destruição dos habitats naturais, as mudanças climáticas, a presença de espécies invasoras, colisões com edifícios, doenças e o uso de pesticidas.

Para Peter P. Marra, reitor do Instituto Earth Commons da Universidade de Georgetown e um dos principais autores do estudo, os resultados refletem décadas de degradação ambiental. Em comunicado, ele afirmou que o cenário era previsível, mas ressaltou que as perdas não são inevitáveis. Além disso, destacou que a revisão aponta lacunas no conhecimento científico e apresenta caminhos capazes de reverter parte desse declínio antes que mais espécies entrem em extinção.

Embora os sistemas de monitoramento tenham avançado nos últimos anos, os pesquisadores afirmam que ainda existem dificuldades para compreender exatamente onde e por que determinadas populações estão diminuindo. Também permanece o desafio de definir quais das cerca de 11 mil espécies de aves conhecidas no mundo hoje devem ser classificadas como migratórias.

Novas tecnologias

Para responder a essas questões, os cientistas vêm recorrendo cada vez mais a novas tecnologias. Dispositivos de rastreamento por satélite, monitoramento acústico com auxílio de inteligência artificial, modelos populacionais e iniciativas de ciência cidadã, como a plataforma eBird — que reúne observações feitas por milhões de pessoas ao redor do mundo — têm permitido acompanhar os deslocamentos das aves detalhadamente.

Com base nessas informações, os autores defendem que as estratégias de conservação precisam considerar todo o ciclo de vida das aves e envolver cooperação internacional, já que muitas espécies atravessam diversos países durante suas migrações.

Felizmente, programas de conservação já conseguiram recuperar algumas populações de aves aquáticas, garças, aves limícolas — que vivem em áreas úmidas de lama ou lodo — e diversas aves de rapina que chegaram a ficar próximas da extinção.

No fim, Marra concluiu:

Sabemos que a conservação funciona. Esta revisão mostra que temos o conhecimento científico necessário para reverter muitos desses declínios. O desafio agora é reunir parcerias, recursos e o compromisso político e público para implementar essas soluções na escala que as aves migratórias exigem”.

Giovanna Gomes é jornalista e estudante de História pela USP. Gosta de escrever sobre arte, arqueologia e tudo que diz repeito à cultura e à história do ser humano.