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Usado no combate de pragas, pássaro se torna problema na Austrália

Levado ao país no século XIX para controlar insetos, espécie de pássaro se espalhou por áreas urbanas e rurais, ameaçando espécies nativas

Pássaro Austrália capa
O Mainá-comum - Getty Images

Introduzido na Austrália durante a década de 1860 para ajudar no combate a insetos considerados pragas agrícolas, o pássaro mainá-comum (Acridotheres tristis) acabou se tornando um problema ainda maior do que aquele que deveria resolver. Mais de 160 anos depois, a ave figura entre as espécies invasoras mais prejudiciais do país e também já se estabeleceu na Nova Zelândia.

Problemas com o pássaro

Adaptável e altamente agressivo, o mainá-comum prosperou tanto em áreas rurais quanto nos centros urbanos do leste australiano. Sua capacidade de competir por alimento e locais de reprodução fez com que diversas aves nativas perdessem espaço. Além disso, a espécie costuma destruir ninhos e consumir ovos de outros pássaros, comprometendo a reprodução da fauna local.

Outro fator que preocupa especialistas é que esse pássaro pode atuar como hospedeiro de parasitas, ácaros e doenças aviárias, algumas com potencial de transmissão para seres humanos. Nas cidades, a abundância de alimento facilita sua expansão. Rações deixadas para animais domésticos, lixo orgânico e restos de comida descartados inadequadamente contribuem para o crescimento da população.

Em 2021, a então ministra do Meio Ambiente e Patrimônio da Austrália, Rebecca Vassarotti, classificou oficialmente o mainá-comum como um “animal-praga”. Apesar disso, grupos de conservação afirmam que boa parte das ações de controle continua sendo conduzida por voluntários, sem um programa governamental abrangente.

Segundo Bill Handke, integrante do Canberra Indian Myna Action Group (CIMAG), campanhas de captura reduziram significativamente a presença da espécie na capital australiana. Em cerca de 12 anos, o mainá-indiano caiu da terceira para a 24ª posição entre as aves mais comuns de Canberra.

No entanto, os resultados não se mantiveram. Com a redução dos esforços de controle, a população voltou a crescer e a espécie passou novamente a figurar entre as mais abundantes do leste da Austrália. O aumento também provocou uma alta nas reclamações de moradores, que recorrem a grupos especializados em busca de armadilhas para capturar as aves. Em muitos casos, a orientação dos programas de manejo é que os voluntários realizem a captura seguida da eutanásia dos animais, medida considerada necessária para conter o avanço da espécie invasora e reduzir seus impactos sobre a biodiversidade local.

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e nerd desde o berço, sou dono de uma mente inquieta que sempre tem mais perguntas que respostas. Vez ou outra, você pode ler textos meus sobre curiosidades históricas, música, ciência e cultura pop.