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Estopim da Revolução Cubana: há 73 anos, acontecia o Assalto ao Quartel Moncada

Em 26 de julho de 1953, Fidel Castro liderou o Assalto ao Quartel Moncada, ação que antecedeu a queda de Fulgencio Batista e o triunfo da Revolução Cubana

Fotografia do Quartel Moncada e de Fidel Castro capturado em 1953 / Crédito: Licença Creative Commons/Cancillería Equador / Domínio Público

Neste domingo, 26 de julho, recorda-se os 73 anos do assalto ao Quartel Moncada, de 1953, uma ação armada liderada por Fidel Castro e que antecedeu a Revolução Cubana de 1959.

O evento ocorrido em Santiago de Cuba é considerado um dos episódios mais marcantes das lutas sociais do século 20 na América Latina e marcou o início da rebelião contra a ditadura do general Fulgencio Batista.

Suicídio de Eduardo Chibás

O ambiente político que levou ao ataque começou a se deteriorar anos antes. Em 5 de agosto de 1951, o líder oposicionista Eduardo Chibás, fundador do Partido Ortodoxo, cometeu suicídio ao vivo durante seu programa de rádio na CMQ Radio, após denunciar casos de corrupção governamental.

Em seu último discurso, declarou: “O tribunal da Inquisição gritou para Galileu: ‘Mentiroso e enganador, apresente a prova de que a Terra se move ao redor do Sol! Galileu não conseguiu apresentar a prova física do fato óbvio e foi condenado, mas continuou repetindo, firme em sua convicção moral: ‘mas ela se move'”.

Na mesma ocasião, ao tratar de denúncias anteriores de desvio de verbas públicas, afirmou: “Eu não podia apresentar a prova física de que eles estavam roubando dinheiro do tesouro nacional. Mas eu continuava repetindo, firme em minha convicção moral: Eles estão roubando, eles estão roubando!”.

Antes de disparar contra si mesmo, concluiu: “Cuba precisa acordar. Mas meu chamado de conscientização talvez não tenha sido alto o suficiente. Continuaremos clamando pela consciência do povo cubano (…). Cuba tem um grande destino reservado… mas precisa realizá-lo“.

Golpe de Batista

Após a morte de Chibás, o Partido Ortodoxo, que defendia propostas como o fim do latifúndio, a industrialização e a nacionalização de serviços públicos, tornou-se o favorito para as eleições gerais agendadas para 1º de junho de 1952.

Entre os candidatos à Câmara dos Deputados pela agremiação estava o jovem advogado Fidel Castro. No entanto, em 10 de março de 1952, quatro meses antes do pleito, o general Fulgencio Batista promoveu um golpe de Estado, suspendeu as garantias constitucionais e cancelou as eleições.

Fulgencio Batista e Eduardo Chibás / Crédito: Domínio Público

Como resposta inicial, Fidel Castro recorreu à Suprema Corte demonstrando a ilegalidade do golpe e fundamentando o direito de resistência armada. Diante da falta de ações concretas dos partidos tradicionais para combater a ditadura, um grupo de jovens passou a se organizar na clandestinidade.

Em 1º de maio de 1952, Fidel conheceu Abel Santamaría, que se tornou um dos principais articuladores do movimento. A partir do apartamento de Santamaría, cerca de 1.200 pessoas foram entrevistadas para formar células rebeldes financiadas por doações dos próprios integrantes.

Plano e ataque ao Quartel Moncada

O plano elaborado previa tomar o Quartel Moncada e recolher as armas do local para distribuí-las à população, deflagrando uma insurreição popular. A data escolhida foi o dia 26 de julho de 1953, período em que ocorria o Carnaval de Santiago de Cuba, o que facilitou o deslocamento dos combatentes sem despertar suspeitas.

Nas primeiras horas daquele dia, os rebeldes se reuniram na Fazenda Siboney. Antes da partida, o poeta Raúl Gómez García leu o “Manifesto de Moncada“, que trazia a mensagem: “Camaradas, podemos vencer em algumas horas ou ser derrotados; mas de qualquer forma, camaradas, ouçam-me, o movimento triunfará!”.

A estratégia dividiu as forças em frentes distintas. Um grupo ocupou o Palácio da Justiça, sob a liderança de Raúl Castro, enquanto a ala chefiada por Abel Santamaría assumiu o controle do hospital militar vizinho.

O contingente principal, comandado diretamente por Fidel Castro, deslocou-se em 16 veículos caracterizados para invadir o alvo principal. Às 5h20 da manhã, a investida perdeu o elemento surpresa após um confronto inesperado com uma patrulha militar, alardeando a guarnição e frustrando a operação.

O combate resultou na derrota imediata dos rebeldes. Nove agressores morreram durante o confronto, cerca de 52 foram capturados e outros 48 conseguiram fugir com o auxílio da população local. A ditadura determinou o assassinato de diversos prisioneiros e intensificou a repressão policial em Cuba.

Fidel Castro preso após o ataque de Moncada / Crédito: Domínio Público

“A História me absolverá”

Submetido a julgamento, Fidel Castro assumiu a própria defesa jurídica. Impedido de consultar provas ou manter contato com os demais detidos, utilizou a sustentação oral para denunciar as arbitrariedades do regime de Batista e apresentar um programa político direcionado aos trabalhadores.

Durante a alegação, declarou: “Para o povo, cujos caminhos de angústia são pavimentados com enganos e falsas promessas, não íamos dizer: ‘Vamos lhes dar’, mas: ‘Aqui o tem, lute agora com todas as suas forças para que a liberdade e a felicidade sejam suas!'”. O discurso encerrou-se com a expressão “A História me absolverá“, frase que deu nome ao manifesto político que circulou posteriormente, segundo o Brasil de Fato.

Fidel foi condenado a 15 anos de prisão, contudo, a mobilização popular forçou o governo a conceder uma anistia aos presos políticos em 1955. Libertados da prisão, os militantes seguiram para o exílio no México, onde estruturaram o Movimento 26 de Julho — denominação adotada em homenagem à data do assalto — para reorganizar a luta armada.

Durante o período em solo mexicano, Fidel Castro conheceu o médico argentino Ernesto Che Guevara, que se integrou ao grupo responsável por desembarcar novamente na ilha e derrubar a ditadura em 1º de janeiro de 1959.

Atualmente, o 26 de julho é celebrado em Cuba como o Dia da Rebeldia Nacional, feriado oficial instituído pelo governo para assinalar a ação que impulsionou o processo revolucionário no país.

Éric Moreira é jornalista, formado pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo. Passa a maior parte do tempo vendo filmes e séries, interessado em jornalismo cultural e grande amante de Arte e História.