Chef de restaurante Michelin pode ser preso por servir sobremesa com formigas
Promotores sul-coreanos pedem prisão e multa após restaurante servir sobremesa com inseto que não é autorizado pela legislação do país

O proprietário de um restaurante com duas estrelas Michelin, localizado no distrito de Gangnam, em Seul, pode ser condenado a um ano de prisão por servir uma sobremesa decorada com formigas, inseto que não está entre as espécies autorizadas para consumo humano pela legislação da Coreia do Sul.
O pedido foi apresentado por promotores sul-coreanos na última segunda-feira e também inclui uma multa de 20 milhões de won para a empresa responsável pela administração do restaurante. O caso foi divulgado pela agência de notícias Yonhap e repercutido pelo The New York Times.
Segundo a acusação, tanto o proprietário quanto a empresa foram denunciados por violar a Lei de Saneamento de Alimentos do país.
Investigação começou após publicações na internet
De acordo com as autoridades, a investigação não teve origem em uma inspeção de rotina. O Ministério da Segurança de Alimentos e Medicamentos iniciou o caso após identificar referências aos pratos preparados com formigas em publicações de blogs e nas redes sociais.
A sobremesa servida pelo restaurante consistia em uma porção de sorvete coberta com formigas secas, oferecida aos clientes que aceitavam experimentar o ingrediente.
Pela legislação sul-coreana, apenas dez espécies de insetos são aprovadas para uso como alimento. Entre elas estão gafanhotos, pupas de bicho-da-seda e vermes-da-farinha. As formigas, porém, não fazem parte dessa lista.
Ainda segundo o Ministério, estabelecimentos interessados em utilizar insetos que não estejam previamente autorizados precisam solicitar uma aprovação temporária antes de comercializar os produtos. Segundo a acusação, esse procedimento não foi realizado pelo restaurante.
A legislação prevê pena máxima de cinco anos de prisão ou multa de até 50 milhões de won para quem descumprir as normas.
Acusação estima uso de cerca de 49 mil formigas
Os promotores afirmam que o restaurante importou formigas secas dos Estados Unidos e da Tailândia a partir de 2021 e utilizou o ingrediente durante aproximadamente quatro anos.
Segundo a acusação, a sobremesa com formigas foi comercializada cerca de 12.200 vezes, gerando uma receita estimada em 120 milhões de won. Com base nesses números, os investigadores calculam que aproximadamente 49 mil formigas tenham sido utilizadas na preparação dos pratos.
A defesa, entretanto, contestou esses cálculos durante o processo. Os representantes do restaurante afirmam que apenas cerca de 60% dos clientes aceitavam receber a cobertura de formigas quando ela era oferecida, tornando a estimativa da promotoria superior ao número real.
Os advogados também destacaram que somente uma pequena parcela do menu degustação, composto por 15 etapas, utilizava o ingrediente.
Restaurante alega desconhecimento da legislação
Durante o processo, o restaurante também argumentou que o chef já utilizava formigas em pratos preparados enquanto trabalhava nos Estados Unidos e em países da Europa, onde esse tipo de ingrediente é empregado por alguns restaurantes de alta gastronomia.
A defesa afirmou ainda que estabelecimentos em países como Dinamarca, Reino Unido e Austrália também utilizam formigas em determinadas receitas e que o chef desconhecia que esse ingrediente era proibido pela legislação sul-coreana.
Segundo a explicação apresentada aos promotores, as formigas eram utilizadas para acrescentar um toque de acidez às sobremesas.
A sentença do caso está marcada para 2 de setembro, quando a Justiça sul-coreana decidirá se acolhe ou não o pedido apresentado pela promotoria.
*Sob supervisão de Felipe Sales Gomes