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Quem foi Joe Jackson, o controverso pai do Rei do Pop

Pai de Michael e dos demais irmãos Jackson, Joe transformou seus filhos em estrelas reconhecidas em todo o mundo — mas a que custo?

Joe Jackson com os filhos Jackie, Tito, Marlon, Jermaine, Michael e Randy - Crédito: Getty Images

Quem via de fora poderia pensar que Joe Jackson, pai de Michael e outros grandes artistas que o mundo conheceu em meados do século passado, era apenas um pai dedicado, ou simplesmente rígido. Mas o que seus filhos revelariam quando adultos chocou uma multidão de fãs. Segundo eles, Joe era violento e com frequência os punia com castigos físicos, que deixariam para sempre marcas psicológicas.

Joseph Walter Jackson, o homem responsável por transformar um grupo de crianças de Gary, no estado americano de Indiana, em um dos maiores fenômenos da música mundial, teve uma origem humilde. Nasceu em 26 de julho de 1928, na pequena cidade de Fountain Hill, no Arkansas, e, quando tinha cerca de 12 anos, viu seus pais se separarem. Essa seria uma grande mudança na vida de Joe, já que, enquanto ele passaria a morar com o pai, Samuel Jackson, em Oakland, na Califórnia, seus irmãos seguiriam com a mãe para East Chicago, em Indiana. Somente aos 18 anos Joseph tornaria a ver a família, no estado de Indiana.

Sem concluir os estudos, o jovem Joe trabalhou como operário na siderúrgica Inland Steel Company. Também tentou construir uma carreira como boxeador amador e chegou a integrar uma banda de blues, mas o grupo teve vida curta. Pouco depois conheceu Katherine Scruse, com quem se casou em novembro de 1949, após encerrar um breve casamento anterior. Juntos tiveram dez filhos: Rebbie, Jackie, Tito, Jermaine, La Toya, Marlon, Brandon (que, infelizmente, morreu logo após o nascimento), Michael, Randy e Janet.

Da esquerda para a direita: Tito Jackson, Joseph Jackson (Joe), Michael Jackson, Randy Jackson, Jackie Jackson, Jermaine Jackson e Marlon Jackson. Fotografia de 1972. – Crédito: Getty Images

A virada de chave

Até então, os Jackson eram uma família americana comum. Mas um episódio ocorrido em meados da década de 1960 mudaria seu destino. Conforme o portal All That’s Interesting, dizem os relatos que Joe descobriu por acaso que alguns dos filhos utilizavam seus instrumentos musicais enquanto ele estava no trabalho e ficou irritado ao perceber que Tito havia quebrado uma corda de seu violão. Sua reação no entanto mudaria da água para o vinho quando decidiu ouvir com atenção e notou que o garoto tinha talento. Estava decidido: a partir daquele momento, Joseph investiria seriamente na carreira musical das crianças.

Primeiro Joe reuniu Jackie, Tito e Jermaine em um grupo chamado Jackson Brothers. Pouco tempo depois, Michael e Marlon também passaram a integrar a formação, que seria rebatizada como Jackson 5. Na época, o pai assumiu integralmente a administração da carreira dos filhos, impondo uma rotina intensa de ensaios e apresentações em concursos de talentos e casas de espetáculo.

O esforço deu resultado. Em 1967, o grupo assinou contrato com a Steeltown Records e lançou o single “Big Boy”. Embora a música não tenha alcançado grande sucesso comercial, serviu como vitrine para que, dois anos depois, o conjunto fosse contratado pela Motown Records. A mudança para Los Angeles marcou o início da fase mais bem-sucedida da carreira dos Jackson 5.

Logo na estreia pela nova gravadora, “I Want You Back” alcançou o primeiro lugar da parada Billboard. O feito foi seguido por outros sucessos, como “ABC”, “The Love You Save” e “I’ll Be There”. Em poucos anos, os irmãos Jackson se transformaram em estrelas internacionais, enquanto Michael despontava como o principal talento do grupo e iniciava a trajetória que o tornaria conhecido como o Rei do Pop.

Bastidores

Enquanto o sucesso crescia diante das câmeras, porém, os relatos sobre os bastidores eram bem diferentes. Já adultos, vários filhos passaram a afirmar que Joe mantinha uma disciplina baseada em agressões físicas e intimidação. Michael Jackson foi quem fez as acusações mais conhecidas. Em entrevistas concedidas ao longo da vida, afirmou que o pai costumava bater nele e nos irmãos, inclusive com cintos e cabos elétricos, quando erravam durante os ensaios. Segundo o cantor, apenas ouvir o pai chegar em casa era suficiente para provocar medo.

Joe Jackson no ano de 2009 – Crédito: Getty Images

Em 1993, durante uma entrevista à apresentadora Oprah Winfrey, Michael voltou a abordar o tema e afirmou que, na infância, frequentemente apanhava do pai. Também contou que Joe fazia comentários depreciativos sobre sua aparência, especialmente sobre seu nariz, algo que, segundo o artista, afetou profundamente sua autoestima. “Houve vezes em que ele vinha me ver e eu ficava doente. Eu começava a regurgitar”, declarou. “Eu amo meu pai, mas não o conheço.”

Dois anos antes, La Toya Jackson chegou a acusá-lo de abuso sexual na infância, embora mais tarde tenha afirmado que fez essas declarações sob pressão do então marido. Joe sempre negou essa e outras acusações graves. Em entrevistas, ele reconheceu que utilizava castigos físicos, mas nunca considerou que eles poderiam ser classificados como abuso. Em uma declaração de 2003, afirmou que nunca “espancou” Michael, apesar de ter admitido tê-lo castigado com um cinto e uma vara.

Rompendo vínculos

Com o tempo, o Rei do Pop decidiu romper com o genitor também no aspecto profissional, dispensando Joe da função de empresário assim que lançou o álbum Off the Wall, no ano de 1979. No âmbito pessoal, os dois seguiriam distantes até os últimos anos de vida do cantor. Joe, porém, nunca demonstrou arrependimento por suas atitudes e, em entrevista concedida à CNN em 2013, chegou a dizer que se sentia “feliz por ter sido durão”.

Ele se justificou: “Vejam como eles se saíram. Eu criei crianças que todos amaram ao redor do mundo.”

Joe Jackson morreu nove anos após Michael, em 27 de junho de 2018, quando tinha 89 anos, em decorrência de um câncer no pâncreas.

Giovanna Gomes é jornalista e estudante de História pela USP. Gosta de escrever sobre arte, arqueologia e tudo que diz repeito à cultura e à história do ser humano.