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Destroços de voo da Pan Am são achados após 74 anos

Descoberta do Clipper Endeavor, da Pan Am, encerra mistério e relembra acidente que tornou obrigatórios avisos de segurança

Destroços do voo da Pan Am que caiu no oceano em 1952, pouco após decolar de Porto Rico com destino a Nova Iorque, foram localizados mais de 70 anos depois. Foto: Fundação Histórica Pan Am.

A localização dos destroços do Clipper Endeavor, uma aeronave da extinta companhia Pan Am que caiu em 1952, foi finalmente confirmada após uma exaustiva investigação de sete anos. O avião, um Douglas DC-4 que tinha como destino a cidade de Nova York, repousava a cerca de 600 metros de profundidade no Oceano Atlântico desde o acidente ocorrido na Sexta-Feira Santa daquele ano. 

Conforme informações publicadas pelo veículo New York Post, a descoberta foi fruto de uma parceria entre a Air/Sea Heritage Foundation e o Discovery Channel, utilizando tecnologia de sonar de última geração para mapear o leito oceânico próximo à costa de Porto Rico.

Mistério de sete décadas

O processo de busca, iniciado em 2019, enfrentou o desafio de localizar uma aeronave que desapareceu rapidamente sob as ondas em uma área de difícil acesso para as tecnologias da época. A equipe de resgate utilizou veículos subaquáticos autônomos avançados para encontrar a fuselagem, que foi identificada partida em duas seções principais, mas com o logotipo da Pan Am ainda visível no metal

Para Josh Gates, apresentador do programa Expedition Unknown e um dos líderes da expedição, a imagem foi impactante. Em entrevista ao programa Today, da NBC, o pesquisador declarou que “ver a fuselagem de alumínio brilhante refletindo para nós no fundo do oceano foi um momento imensamente emocional”.

Destroços do avião da Pan Am foram localizados em junho, encerrando uma busca de sete anos pela aeronave que caiu no oceano em 1952. Foto: AirSea Heritage Foundation e Deep Sea Vision.

Falha mecânica e caos

O acidente que vitimou 52 pessoas ocorreu apenas dez minutos após a decolagem do aeroporto de San Juan, causada por uma falha múltipla nos motores. Na ocasião, 64 passageiros e cinco tripulantes estavam a bordo. Embora o impacto inicial contra a água tenha permitido a sobrevivência de quase todos os ocupantes, a aeronave afundou em apenas três minutos em um mar extremamente agitado

Naquela época, a aviação comercial não possuía os rigorosos protocolos de segurança que existem hoje. Josh Gates explicou ao veículo NBC que “não havia demonstração de onde ficavam as saídas ou onde estavam os dispositivos de flutuação”, o que resultou em um pânico generalizado enquanto o avião era invadido pela água.

Herança na segurança aérea

A tragédia do Clipper Endeavor é considerada um divisor de águas para a indústria da aviação mundial. Foi a partir desse desastre que as demonstrações de procedimentos de emergência e as orientações sobre coletes salva-vidas tornaram-se obrigatórias antes de qualquer decolagem. 

A herança desse voo fatídico é sentida por qualquer passageiro moderno. De acordo com um comunicado oficial de Josh Gates, “cada vez que você embarca em um avião hoje, você está mais seguro por causa do que aconteceu com o Clipper Endeavor e seus passageiros há três quartos de século”.

O trabalho de Patrick Reilly e outros investigadores reforça que a localização dos destroços busca trazer paz às famílias das vítimas que esperaram por respostas durante gerações. Com o achado, a fundação responsável pretende preservar o local como um memorial histórico, garantindo que o sacrifício daqueles passageiros não seja esquecido pela história da navegação aérea. 

O Discovery Channel planeja exibir um documentário detalhando toda a operação de busca e os achados técnicos no fundo do mar ainda este ano.


*Sob supervisão de Felipe Sales Gomes

Meu propósito é dar voz a narrativas.