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Estudo explica mistério que inspirou a jornada retratada em ‘Moana’

Pesquisa indica que uma seca prolongada no Pacífico Sul impulsionou as viagens dos polinésios representadas em Moana

Trailer Moana Live Action - Reprodução/Disney

Uma das questões que também inspira a trama de Moana, animação da Disney baseada em elementos da cultura polinésia, pode ter ganhado uma nova explicação científica. O que levou povos navegadores a deixarem suas ilhas e se aventurarem por milhares de quilômetros no Oceano Pacífico? Segundo um estudo publicado na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), a resposta pode estar em uma longa seca que atingiu o Pacífico Sul e alterou profundamente as condições de vida da região.

De acordo com a pesquisa, um período de aridez que durou entre 200 e 400 anos teria desempenhado papel decisivo na expansão marítima dos polinésios, incentivando a exploração e a colonização de novas ilhas após séculos de relativa estabilidade.

As viagens de Moana

Para investigar o fenômeno, os pesquisadores reconstruíram o clima do Pacífico Sul ao longo dos últimos dois mil anos por meio da análise de sedimentos coletados em lagos localizados em Vanuatu, Samoa e nas Ilhas Cook.

Os resultados mostram que, por volta do ano 900 d.C., as ilhas de origem desses povos enfrentaram um período de forte redução das chuvas. Segundo os cientistas, a mudança foi provocada pelo deslocamento das zonas responsáveis pelos ventos e pelas precipitações na região.

A diminuição da disponibilidade de água potável e os impactos sobre a agricultura criaram um cenário de escassez que, somado a pressões sociais, pode ter incentivado as primeiras expedições marítimas em busca de novos territórios.

Ocupação gradual das ilhas

Além de reconstruir as condições climáticas, o estudo buscou identificar quando os primeiros grupos humanos chegaram a novas ilhas da Polinésia.

Para isso, os pesquisadores analisaram sedimentos do Lago Te Roto, localizado na ilha de Atiu, onde encontraram indicadores associados à presença de humanos e porcos.

Os registros apontam que os primeiros vestígios surgem por volta de 900 d.C., marcando uma fase inicial de exploração. Já aproximadamente no ano 1000 d.C., aparecem sinais de ocupação contínua, refletidos em mudanças na produtividade do lago.

Cerca de um século depois, por volta de 1125 d.C., os cientistas identificaram evidências de alterações ambientais mais intensas, incluindo queimadas utilizadas para abrir áreas destinadas à agricultura, indicando o estabelecimento definitivo dessas comunidades.

Expansão foi planejada

Segundo os autores, a colonização da Polinésia Oriental não aconteceu por acaso. A pesquisa indica que os navegadores aproveitaram períodos favoráveis dos ventos, chamados de “janelas de navegação”, que permitiam realizar viagens de exploração e retornar com segurança às ilhas de origem.

Esse processo teria possibilitado que diferentes gerações acumulassem conhecimento sobre rotas marítimas antes da ocupação permanente de novos territórios.

O estudo também aponta que, após aproximadamente 1150 d.C., as condições climáticas voltaram a se tornar mais úmidas. Esse cenário favoreceu uma nova etapa da expansão polinésia, permitindo que os navegadores alcançassem regiões ainda mais distantes, como a Ilha de Páscoa e a Nova Zelândia.

Para os pesquisadores, os resultados ajudam a solucionar um debate antigo da arqueologia ao indicar que fatores ambientais tiveram papel fundamental na expansão dos povos polinésios. Assim, a pesquisa oferece uma nova perspectiva para compreender as grandes viagens que marcaram a história dessas civilizações e que, séculos depois, também inspirariam narrativas populares como a apresentada em Moana.


*Sob supervisão de Felipe Sales Gomes