Espécie rara de peixe-barril é registrada pela primeira vez no fundo do Atlântico
Cientistas capturam vídeo inédito de criatura com cabeça transparente e olhos tubulares a 700 metros de profundidade em zona remota do oceano

Uma expedição científica realizada pelo Schmidt Ocean Institute na Zona de Fratura de Doldrums, uma das regiões menos exploradas do Oceano Atlântico, obteve um registro histórico para a biologia marinha. Pela primeira vez na história, pesquisadores conseguiram capturar imagens em vídeo de uma espécie rara de peixe-barril, cientificamente chamada de Winteria telescopa, viva em seu habitat natural. O animal foi avistado a aproximadamente 710 metros de profundidade por meio do veículo operado remotamente SuBastian, em uma área onde a luz solar é apenas um brilho tênue.
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Olhar fixo no topo
Diferente da maioria dos peixes, cujos olhos são voltados para as laterais, o peixe-barril possui órgãos oculares em formato de tubo que apontam permanentemente para cima. Essa adaptação evolutiva permite que o animal identifique, na escuridão, as silhuetas de presas como lulas e águas-vivas que nadam acima dele contra a pouca luz residual que desce da superfície. Conforme informações publicadas pelo veículo Daily Mail, esses olhos especializados também são fundamentais para detectar flashes de bioluminescência emitidos por outros seres marinhos na zona crepuscular.
For the “Awesomely Peculiar Hall of Fame” — extremely rare sighting of a barreleye fish & first footage of this species, Winteria telescopa, alive in situ. Filmed during the #Doldrums expedition at 710 m. Read more about tubular eyes & a light organ here: https://t.co/oqf0OT4mlr pic.twitter.com/wmIKhJ3SoX
— Schmidt Ocean (@SchmidtOcean) June 29, 2026
Cabeça totalmente transparente
A característica mais marcante e bizarra dessa criatura é a sua cabeça envolta em uma cúpula de tecido transparente, que permite aos cientistas observar os olhos incomuns dentro do próprio crânio. Até então, quase todo o conhecimento sobre a espécie provinha de espécimes mortos ou danificados, pois essa estrutura delicada costuma colapsar quando os animais são trazidos à superfície por redes de pesca. Especialistas acreditam que esse escudo transparente funcione como uma proteção para os olhos contra células urticantes enquanto o peixe ataca predadores flutuantes.
Descobertas nas profundezas
Apesar da aparência exótica e intimidadora nos vídeos, o peixe-barril é pequeno, medindo entre 10 e 15 centímetros, tamanho comparável ao de uma banana. A missão, contudo, revelou uma riqueza biológica que superou as expectativas iniciais, incluindo novos campos de fontes hidrotermais e lulas raras de barbatanas grandes.
A Dra. Paula Zapata Ramirez, professora assistente na Universidade Pontifícia Bolivariana, destacou a importância estratégica do trabalho em declaração ao Daily Mail: “Cada amostra, cada imagem e cada descoberta nos aproxima um passo mais da compreensão das partes ocultas do nosso planeta”, afirmou a pesquisadora. Para Paula Zapata Ramirez, o valor da expedição reside na obtenção de uma compreensão mais profunda de ecossistemas em uma das regiões mais remotas do planeta.
*Sob supervisão de Giovanna Gomes