EUA tiveram mais de 200 casos de OVNIs no fim dos anos 1940
Arquivos desclassificados mostram que militares mapearam centenas OVNIs e chegaram a considerar a possibilidade de tecnologia soviética

Um conjunto de documentos militares recentemente desclassificados revelou que o governo dos Estados Unidos investigou centenas de relatos de objetos voadores não identificados (OVNIs) logo após a Segunda Guerra Mundial. Os registros, divulgados pelo Pentágono, incluem um mapa elaborado em 1948 que reúne mais de 200 ocorrências registradas em diferentes regiões do país, além de análises produzidas pela Força Aérea e pelo Escritório de Inteligência Naval.
O levantamento compilou 210 relatos feitos entre 1947 e 1948 por pilotos militares e civis, cientistas, policiais e cidadãos comuns. Os avistamentos se concentraram principalmente nas proximidades de cidades como Filadélfia, Cincinnati, Louisville, Los Angeles, Portland e Boise, formando padrões geográficos que chamaram a atenção das autoridades.
OVNIs nos anos 1940
Segundo os documentos, os objetos descritos apresentavam formatos variados. Os mais frequentes eram discos voadores, mas também foram registrados artefatos em forma de charuto, bolas de fogo e cones luminosos. Em Ohio e Kentucky, por exemplo, diversos relatos mencionavam os chamados “cones de fogo”, enquanto objetos alongados, semelhantes a charutos ou lápis, apareceram em praticamente todo o território norte-americano.
Em um dos episódios documentados, um piloto desenhou o objeto que afirmou ter visto durante um voo. Segundo seu relato, a estrutura media cerca de 30 metros de comprimento, não possuía asas nem estabilizadores e cruzou o céu em alta velocidade.
Entre os casos mais antigos está o relato de dois observadores do Serviço Meteorológico dos Estados Unidos, que, em abril de 1947, afirmaram ter visto repetidamente um disco metálico enquanto acompanhavam balões meteorológicos sobre Richmond, no estado da Virgínia.
Um mês depois, um engenheiro de campo em Oklahoma descreveu um disco voando entre 3 mil e 3,6 mil metros de altitude, sem qualquer rastro de propulsão. Em junho daquele mesmo ano, um piloto da Força Aérea informou ter observado cinco ou seis objetos circulares voando em formação nas proximidades do Lago Mead, em Nevada.
Esses registros antecedem o famoso incidente de Roswell, ocorrido em julho de 1947, quando militares anunciaram inicialmente a recuperação de um “disco voador” em um rancho no Novo México, antes de atribuir o episódio a um balão meteorológico.
Embora os investigadores não tenham encontrado evidências que comprovassem uma origem extraterrestre para os objetos, os relatórios concluem que os relatos eram numerosos, consistentes e provenientes de testemunhas consideradas confiáveis demais para serem descartados como simples boatos ou fraudes.
Na época, os militares trabalharam com duas hipóteses principais. A primeira era a de que os objetos fossem aeronaves experimentais, foguetes ou balões desenvolvidos pelos próprios Estados Unidos. A segunda, considerada motivo de preocupação durante o início da Guerra Fria, sugeria que os avistamentos poderiam estar relacionados a tecnologias alemãs capturadas pela União Soviética ao fim da Segunda Guerra Mundial. Nesse cenário, as incursões serviriam para testar as defesas aéreas americanas e coletar informações estratégicas sobre o território dos Estados Unidos.