NASA está desenvolvendo quinto estado da matéria
Atualização no Laboratório de Átomos Frios permite que a agência estude a mecânica quântica em temperaturas recordes e gravidade quase zero na ISS

A NASA atingiu um novo patamar na exploração da física ao transformar a Estação Espacial Internacional (ISS) em um laboratório para a criação do quinto estado da matéria. Graças a uma série de aprimoramentos no Laboratório de Átomos Frios (CAL), um dispositivo compacto do tamanho de uma minigeladeira, os cientistas conseguiram resfriar átomos a temperaturas recordes. De acordo com informações do veículo Live Science, o experimento busca compreender a mecânica quântica em um ambiente de gravidade próxima de zero, condições impossíveis de serem reproduzidas com precisão na superfície terrestre.
Átomos em suspensão
O processo utiliza lasers para reduzir a energia de gases de rubídio e potássio até que alcancem o zero absoluto, aproximadamente menos 273,15 graus Celsius. Nesse nível de frio extremo, os átomos perdem sua energia de movimento e se fundem em um estado conhecido como condensado de Bose-Einstein, no qual se comportam como uma única onda de matéria quântica. Segundo o cientista do projeto no Laboratório de Propulsão a Jato da NASA, Jason Williams, o comportamento da matéria nessas circunstâncias é fascinante.
“Em temperaturas extremamente baixas, a matéria se comporta de maneira drasticamente diferente de tudo o que já experimentamos. A natureza ondulatória da matéria predomina, e a matéria ultrafria pode se comportar de maneiras não apenas inesperadas, mas que também permitem medições extremamente precisas de tempo, gravidade e movimento”, explicou Jason em comunicado oficial.
Superando barreiras terrestres
A realização do experimento em órbita é fundamental porque, na Terra, a gravidade e o calor interferem rapidamente nas medições quânticas. No espaço, as nuvens de átomos podem se expandir e evoluir sem perturbações por períodos muito mais longos, permitindo observações em escalas maiores.
Conforme o portal Live Science, a astronauta Jessica Meir participou dessa evolução tecnológica ao inspecionar as fibras ópticas necessárias para a instalação do novo hardware a bordo da estação. Esta atualização, enviada à ISS em abril de 2026, incluiu um redesenho da armadilha magnética responsável por conter os átomos e melhorias nos sensores de medição.
Futuro da navegação na NASA
O impacto dessas pesquisas pode revolucionar a tecnologia que utilizamos no cotidiano e na exploração espacial futura. O cientista adjunto de projetos, Ethan Elliott, compara o momento atual com a revolução que permitiu a criação de celulares e lasers no século passado.
“Estamos realizando a Quântica 2.0 – manipulação direta de grandes estados quânticos – e esperamos avanços semelhantes na tecnologia quântica ao desenvolver essa ciência em órbita”, afirmou Ethan. A expectativa da NASA é que esses estudos resultem em sistemas de navegação de alta precisão que permitam que astronautas se orientem na Lua sem o uso de GPS, além de criar mapas gravitacionais detalhados da Terra para monitorar mudanças climáticas e geológicas.