Extintos desde a colônia, bugios-ruivos voltam à florestas brasileiras
Bugios-ruivos, espécie entre as 25 mais ameaçadas da mata atlântica, são introduzidos à Ilha de Santa Catarina após 260 anos de sumiço

Há 2 anos, o projeto Silvestre SC do Instituto Fauna Brasil organizou a primeira reintrodução dos bugios-ruivos nas florestas da Ilha de Santa Catarina, no sudeste do país. Agora, a população reintroduzida se dividiu em 5 grupos e quebram a extinção que perdurava desde o período colonial.
Porém, mais do que tentar reconstruir a fauna, os bugios-ruivos têm ajudado na dispersão das sementes pela floresta, o que os torna mecanismos de reconstrução da flora da Mata Atlântica. Conforme os pesquisadores, o primata também serve como símbolo de preservação e conservação das florestas de Santa Catarina.
Embora livres na natureza e em áreas preservadas como o Parque Estadual do Rio Vermelho e no Monumento Natural Municipal da Lagoa do Peri, em Florianópolis, as 5 famílias seguem sendo monitoradas pelos pesquisadores.
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Os bugios-ruivos
De acordo com levantamentos da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) com o Instituto do Meio Ambiente (IMA SC) e a Fundação Municipal do Meio Ambiente (Floram), os últimos registros dos bugios-ruivos na Ilha de Santa Catarina datam de 1763, época que o país ainda era colônia de Portugal.
Contudo, com a reintrodução da espécie nas matas, cerca de 14 bugios ocupam hoje Florianópolis em 5 grupos: 3 no Norte da Ilha e dois no Sul. Apesar de já ter sido computada duas baixas, nenhum nascimento foi identificado entre os bugios-ruivos. Mas os pesquisadores explicam que o processo é normal e que o objetivo é reintroduzir mais espécimes neste ano — cerca de 4 animais estão em avaliação.
De acordo com a NSC Total, além da conquista por parte da fauna da Mata Atlântica, a conquista também é da flora brasileira. A espécie têm ajudado na dispersão de sementes, cumprindo assim um nicho ecológico importantíssimo, pois nas fezes desses animais há sementes de locais distantes da área em que os animais foram soltos. Assim, os primatas contribuem diretamente com a regeneração natural da Mata Atlântica.
Não obstante, os bugios-ruivos, para além do papel ecológico, se tornaram uma espécie-bandeira. De modo que conquistam também sucesso no seu papel social de conscientização populacional sobre a importância de preservar a natureza e as espécies nativas brasileiras.
*Sob supervisão de Éric Moreira