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Como seria viajar pelo Império Romano? Ferramenta calcula rotas de 2 mil anos atrás

Ferramenta digital reconstrói a malha viária da Roma Antiga e permite calcular rotas e o tempo de viagem entre cidades de 2 mil anos atrás

Mapa foi desenvolvido com cruzamento de dados históricos e cartografia antiga: Reprodução/omnesviae.org

Viajar pelas estradas do Império Romano e descobrir quanto tempo levaria para percorrer milhares de quilômetros há cerca de 2 mil anos pode parecer impossível, mas uma plataforma digital tornou essa experiência acessível ao público. Baseada em documentos históricos e mapas antigos, a ferramenta permite reconstruir trajetos utilizados durante a Antiguidade e calcular o tempo necessário para completá-los a pé ou a cavalo.

Segundo informações divulgadas pelo R7, o projeto reúne diferentes fontes históricas e transforma esse conhecimento em um sistema semelhante aos aplicativos modernos de navegação, oferecendo uma nova forma de explorar a infraestrutura que conectava Roma às mais diversas regiões do império.

Um GPS para as estradas da Roma Antiga

A plataforma, chamada OmnesViae, funciona de maneira bastante intuitiva. O usuário informa um ponto de partida e um destino, enquanto o sistema calcula automaticamente a rota mais rápida disponível dentro da rede de estradas romanas.

O mapa destaca o caminho escolhido em amarelo, permitindo visualizar o percurso sobre um mapa atual. Além disso, o sistema estima quanto tempo seria necessário para realizar a viagem utilizando os meios de transporte mais comuns da época, como deslocamentos a pé ou a cavalo.

O objetivo é reproduzir, da forma mais fiel possível, a experiência de viajar pelo Império Romano, utilizando informações históricas para aproximar o passado das tecnologias digitais atuais.

Como o mapa foi reconstruído

A base do projeto é a Tabula Peutingeriana, considerada uma cópia medieval de um antigo mapa romano que representava o cursus publicus, a rede oficial de estradas utilizada pelo Império Romano.

Como parte desse documento histórico foi perdida ao longo dos séculos, o engenheiro holandês René Voorburg, responsável pelo desenvolvimento do mapa digital, complementou as informações utilizando o Itinerário Antonino e dados do Projeto Pleiades.

O trabalho também contou com a consultoria do historiador Richard Talbert, permitindo reunir diferentes fontes acadêmicas em uma única plataforma de acesso aberto.

O resultado foi um sistema capaz de transformar um conjunto complexo de dados históricos em um planejador de viagens simples de utilizar, tanto em computadores quanto em dispositivos móveis.

Viagens que atravessam séculos

Além de calcular distâncias e tempo de percurso, a ferramenta também revela antigas paradas ao longo das rotas romanas. Muitas dessas localidades mudaram de nome ao longo da história, mas continuam existindo em posições estratégicas próximas a rios, vales e importantes corredores naturais.

Um dos exemplos apresentados pelo sistema é a viagem entre as atuais cidades de Madri e Milão, identificadas na plataforma pelos nomes antigos de Miaccum e Mediolanvm.

Segundo os cálculos do OmnesViae, um viajante romano levaria aproximadamente 43 dias para percorrer as cerca de 1.500 milhas romanas que separavam essas cidades, passando por localidades como Conplutum, correspondente à atual Alcalá de Henares, e Avgvsta Tavrinorvm, hoje conhecida como Turim.

Para efeito de comparação, o mesmo trajeto pode ser realizado atualmente em aproximadamente 16 horas de carro ou em cerca de 14 dias de caminhada contínua.

Projeto ganhou novas tecnologias

Criado em 2011, o OmnesViae passou por uma ampla reformulação ao longo de 2024. Entre as novidades incorporadas estão recursos de inteligência artificial utilizados para aprimorar traduções e ilustrações disponíveis na plataforma.

As atualizações reforçam o objetivo do projeto de tornar mais acessível o estudo da infraestrutura do Império Romano, permitindo que pesquisadores, estudantes e entusiastas da história explorem antigas rotas de maneira interativa.

Ao reunir documentação histórica, cartografia antiga e ferramentas digitais, a plataforma oferece uma nova perspectiva sobre a mobilidade na Antiguidade e preserva, em ambiente virtual, uma das maiores redes viárias já construídas pelo ser humano.


*Sob supervisão de Éric Moreira