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Por que alguns nomes de jogadores são tão difíceis de pronunciar?

Diversidade linguística faz com que torcedores, narradores e comentaristas enfrentem desafios na pronúncia dos nomes de atletas e técnicos

Erling Haaland / Crédito: Getty Images

Grandes competições internacionais de futebol costumam reunir atletas de diferentes continentes e culturas, oferecendo ao público não apenas disputas esportivas, mas também um contato direto com a diversidade de idiomas ao redor do mundo. Nesse cenário, um desafio recorrente para torcedores, narradores e comentaristas é pronunciar corretamente os nomes de jogadores e técnicos de diversas nacionalidades.

De acordo com Marcos Penteado, professor de Língua Portuguesa da Estácio, a principal razão para essa dificuldade está na variedade de sistemas linguísticos representados em torneios mundiais. Segundo ele, nomes oriundos de idiomas com estruturas fonéticas muito diferentes do português tendem a soar pouco familiares para os brasileiros.

Como um evento mundial, a competição reúne culturas originárias de todos os continentes e, consequentemente, nomes com origens muito diferentes. Os vindos de línguas românicas, como espanhol e italiano, costumam soar mais familiares porque o português também faz parte desse grupo. Já nomes de línguas semíticas, como árabe e hebraico, de idiomas eslavos, como russo, sérvio e polonês, ou de línguas africanas, como o xhosa, apresentam sons que simplesmente não fazem parte do nosso repertório”, explica em comunicado.

Nomes complexos

Além das diferenças entre os idiomas, alguns caracteres e sinais gráficos contribuem para aumentar a dificuldade. Segundo Penteado, determinadas letras possuem pronúncias completamente distintas das adotadas em português. Um dos exemplos citados é o nome do técnico sérvio Veljko Paunović. Nesse caso, o “J” tem som semelhante ao de “I”, enquanto o sinal gráfico sobre o “Ć” indica um som próximo de “TCH”, fazendo com que a pronúncia se aproxime de “Veliko Paunovitch“. Outro exemplo mencionado pelo professor é o atacante senegalês Ibrahim Mbaye, cuja pronúncia aproximada seria “Ibrarrim Baiê“.

Apesar dessas aproximações, o especialista ressalta que reproduzir a pronúncia exatamente como ocorre no idioma de origem normalmente exige o auxílio de um falante nativo. “Nós fazemos o melhor que podemos”, observa.

O fenômeno, no entanto, não ocorre apenas com brasileiros. Segundo o professor, estrangeiros também enfrentam dificuldades para pronunciar nomes e sobrenomes comuns no Brasil. Sobrenomes como Silva, Santos, Carvalho e Oliveira, por exemplo, apresentam sons nasais característicos da língua portuguesa, que costumam ser desafiadores para falantes de idiomas como o russo e o sérvio. Da mesma forma, pessoas cuja língua materna é o japonês frequentemente substituem o som da letra “V“, inexistente em seu sistema fonético, o que explica pronúncias como “Sugauara” para o sobrenome Sugawara.

Para Penteado, essas diferenças linguísticas refletem a riqueza cultural presente no futebol e ajudam a transformar as competições em encontros entre povos e tradições distintas. “Os nomes dos jogadores sempre despertam estranhamento, curiosidade e até boas risadas, tanto para nós quanto para pessoas de outros países tentando falar nomes brasileiros. O evento também é um encontro entre idiomas e culturas. No fim, mais importante do que a pronúncia perfeita é respeitar essa diversidade e aproveitar o espetáculo que o futebol proporciona”, conclui.

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e nerd desde o berço, sou dono de uma mente inquieta que sempre tem mais perguntas que respostas. Vez ou outra, você pode ler textos meus sobre curiosidades históricas, música, ciência e cultura pop.