Notícias / Ciência

IA descobre antibiótico controlador da gonorreia com “vagina in chip” infectada

Para analisar 6 milhões de moléculas, cientistas utilizam machine learning para processamento de dados e IA descobrem antibiótico para a gonorreia

Ilustração de vírus da gonorréia e de Chip com IA para elucidar a notícia IA descobre antibiótico controlador da gonorreia com “vagina in chip” infectada
Ilustração de vírus da gonorréia e de Chip com IA para elucidar a notícia IA descobre antibiótico controlador da gonorreia com “vagina in chip” infectada - Créditos: Getty Images

Recentemente, pesquisadores utilizaram da IA para descobrir antibiótico capaz de tratar a gonorréia, infecção bacteriana sexualmente transmissível e que está ficando mais resistente a medicamentos. Para tal ato, foi utilizado a tecnologia de uma “vagina in chip”.

O Dr. Jeffrey Klausner, professor clínico da Universidade do Sul da Califórnia, que não participou do estudo, disse ao Live Science:

Há uma necessidade urgente de combater a resistência aos antibióticos na gonorreia, e a descoberta de novos antibióticos é uma das principais estratégias.”

O antibiótico controlador da gonorreia

Na maior parte do mundo há casos; somente nos Estados Unidos há mais de meio milhão de pessoas contaminadas todos os anos. A bactéria pode causar dor e corrimento vaginal e em casos graves, e quando não tratada pode levar à infertilidade. Nesse sentido, se não for tratada, a gonorréia até mesmo pode ser transmitida aos bebês antes ou durante o parto, causando sepse ou cegueira neonatal. 

Fato é que a gonorreia, advinda da bactéria da Neisseria gonorrhoeae, frequentemente apresenta mutações que conferem resistência a um ou mais antibióticos e tratamentos. Ou seja, ao evoluir, a bactéria se torna mais resistente e mais difícil de ser tratada. 

Atualmente o antibiótico ceftriaxona, amplamente utilizado, continua sendo o principal medicamento escolhido, mas a resistência ao fármaco está aumentando rapidamente em todo o mundo. Por isso os cientistas estão em busca de medicamentos de naturezas diferentes dos já conhecidos.

Dessa forma, a pesquisa, publicada na revista Science Translational Medicine, revelou uma utilização tecnológica inédita nos estudos do caso. Conforme o Live Science, os cientistas utilizaram a Inteligência Artificial para poder identificar os possíveis antibióticos à doença em mais de 1.775 medicamentos clinicamente aprovados.

Dessa maneira, das quase 6 milhões de moléculas analisadas, cerca de 213 compostos poderiam ser eleitos para serem antibióticos. Porém, desses 213, muitos foram eliminados por serem semelhantes aos já conhecidos ou porque podem apresentar alguma agressividade ao corpo humano.

Assim, dos que sobraram, o mais promissor dos compostos foi o MP20. Mas uma dificuldade se apresentou no estudo: a gonorreia é extremamente adaptada ao corpo humano, tornando difícil induzir a doença em outros animais como os camundongos de laboratório.

O “chip in vagina”

Diante disso, os pesquisadores testaram o MP20 em um modelo de chip que simula uma vagina. Desse modo, o dispositivo contém uma camada de células que imita o revestimento da vagina, uma camada de fibroblastos e células encontradas mais profundamente no tecido. Isso tudo ao mesmo tempo que está conectada há um canal de fluxo preenchido com nutrientes que simula a corrente sanguínea.

Assim, adicionaram bactérias da gonorréia às camadas do chip, de modo a simular a contaminação natural. Logo após, começaram a analisar o canal de fluxo e administrar o medicamento no corpo, de maneira a tentar parar com a contaminação. Sobre os ensaios, a médica, envolvida no estudo, Dra. Melis Anahtar disse:

Ele conseguiu atravessar todas essas barreiras epiteliais e se acumular em uma concentração suficiente para matar a gonorreia“.

Contudo, deixou claro que ainda são necessários mais exames e experimentos para ter certeza da veracidade do caso. O médico Klausner completou: “É preciso demonstrar que esses compostos químicos são seguros e não apresentarão toxicidade hepática ou renal em humanos, nem efeitos colaterais graves“.


*Sob supervisão de Éric Moreira

Historiador em formação que troca qualquer "sextou" por fofocas de época e análise econômica. Traduzo o mundo via cultura, provando que o passado é o melhor spoiler do presente. Quer entender como a engrenagem realmente gira? O convite para a viagem está nos meus artigos: