Orangotangos usam plantas medicinais para aliviar dores e relaxar
Estudo identificou que primatas combinam plantas com propriedades terapêuticas para aliviar dores, combater parasitas e promover relaxamento

Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de Exeter revelou que os orangotangos-de-bornéu utilizam plantas com propriedades medicinais para tratar diferentes desconfortos físicos, incluindo dores musculares, ferimentos, parasitas e até mesmo para promover relaxamento. A pesquisa amplia o conhecimento sobre a capacidade desses primatas de recorrerem à automedicação e reforça que esse comportamento é mais sofisticado do que se imaginava.
O trabalho investiga a chamada zoofarmacognosia, área da ciência dedicada ao estudo dos comportamentos medicinais em animais não humanos. Segundo os pesquisadores, os resultados mostram que a automedicação faz parte do repertório comportamental da espécie e envolve escolhas específicas de plantas conhecidas por apresentarem propriedades farmacológicas.
Para chegar às conclusões, os cientistas aplicaram métodos estatísticos avançados a um banco de dados acumulado ao longo de 20 anos. A análise permitiu identificar combinações não aleatórias de recursos alimentares consumidos pelos orangotangos, muitos deles associados a propriedades terapêuticas já conhecidas.
Combinação de plantas pode acelerar a recuperação
O principal foco da pesquisa foi testar a chamada Hipótese da Combinação de Recursos Automedicativos (SMRCH). Essa hipótese propõe que os orangotangos combinam deliberadamente diferentes recursos terapêuticos para otimizar a recuperação de doenças, ferimentos ou outros problemas físicos.
Os resultados indicaram que esse comportamento é frequente entre os animais. Segundo os pesquisadores, os orangotangos utilizam plantas com propriedades farmacológicas capazes de proporcionar alívio físico e produzir efeitos sobre o sistema nervoso.
Além disso, as combinações observadas incluem espécies vegetais utilizadas para auxiliar na cicatrização de ferimentos, aliviar dores musculares e articulares, combater parasitas e oferecer proteção contra insetos.
Plantas também são usadas para relaxar
Entre as espécies identificadas pelos pesquisadores está a Pandanus spp., planta presente em diferentes combinações alimentares consumidas pelos orangotangos.
De acordo com o estudo, essa planta possui propriedades documentadas como depressora do Sistema Nervoso Central (SNC), sugerindo que pode contribuir para efeitos de relaxamento nos animais.
Outra observação considerada importante envolveu fêmeas adultas utilizando folhas mastigadas da planta Dracaena cantleyi. Segundo os pesquisadores, elas aplicavam esse material para aliviar quimicamente desconfortos musculares ou articulares, possivelmente provocados pelo esforço constante de carregar seus filhotes.
Alívio da dor e proteção ao organismo
Os cientistas também identificaram combinações alimentares envolvendo a planta Fibraurea tinctoria.
Segundo o estudo, esse tipo de combinação pode oferecer efeitos analgésicos e neuroprotetores ao mesmo tempo, indicando que os orangotangos selecionam recursos naturais capazes de atuar em diferentes aspectos da recuperação física.
As conclusões reforçam que o comportamento de tratar terapeuticamente doenças ou ferimentos, tanto em si mesmos quanto em outros indivíduos, é comum entre esses primatas.
Para os pesquisadores, as descobertas ampliam o entendimento sobre a automedicação em animais e demonstram que os orangotangos fazem uso de plantas com propriedades farmacológicas conhecidas de forma recorrente, recorrendo a diferentes combinações conforme a necessidade de aliviar dores, combater parasitas, tratar ferimentos ou promover relaxamento.
*Sob supervisão de Giovanna Gomes