Obra-prima de Rafael no Vaticano terá restauro inédito com laser
Museus Vaticanos iniciam projeto de cinco anos para limpar afrescos da Loggia de Rafael usando lasers manuais em um investimento milionário

Na última quarta-feira, 24 de junho, os Museus Vaticanos apresentaram um projeto ambicioso para salvar uma das joias mais exclusivas do Renascimento. A Loggia de Rafael, um corredor de 65 metros de extensão localizado no coração do Palácio Apostólico, passará por uma restauração completa utilizando tecnologia de ponta.
O trabalho deve durar cinco anos e custar cerca de 5,5 milhões de dólares, conforme anunciado oficialmente pela Instituição e reportado pela Associated Press.
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Arte cde Rafael sob proteção
Localizada no segundo andar do palácio, a galeria foi projetada pelo mestre Rafael Sanzio e executada por seu ateliê entre 1517 e 1519 para o papa Leão X. O espaço é dividido em 13 seções que abrigam 52 cenas bíblicas, conhecidas historicamente como a Bíblia de Rafael. Por estar situada no santuário interno da Santa Sé, a galeria é fechada ao público geral, servindo como via de passagem apenas para o pontífice, chefes de Estado e embaixadores em audiência.

Limpeza com laser
A grande novidade técnica é o uso de lasers manuais para a recuperação das superfícies. Segundo Paolo Violini, que é o renomado chefe do laboratório de restauração de pinturas dos Museus Vaticanos, o método de limpeza a seco é essencial para este caso específico.
Como as tintas utilizadas nos afrescos são solúveis em água, o uso de solventes químicos ou métodos tradicionais poderia causar danos irreversíveis às cores originais. O especialista explicou que essa é a primeira grande reforma em cinco séculos, necessária porque o corredor permaneceu aberto aos elementos climáticos até o ano de 1813, sofrendo com chuva e umidade.
Investimento em cultura
O custo da obra será coberto integralmente por doadores internacionais. O projeto conta com a parceria da organização não governamental World Monuments Fund e o financiamento da fundação de Stephen A. Schwarzman, um empresário e filantropo norte-americano radicado em Nova York.
Além do restauro físico, o investimento total engloba a digitalização das imagens para que o público possa apreciar a obra virtualmente e um programa de treinamento acadêmico para novos restauradores, conforme detalhado pelo veículo Associated Press. O esforço busca garantir que o legado artístico de Rafael Sanzio sobreviva às próximas gerações com o auxílio da ciência moderna.
*Sob supervisão de Felipe Sales Gomes