Partenon revela sua face original após 220 anos sob andaimes em Atenas
A intervenção iniciada em 2017 devolveu a geometria clássica ao monumento com blocos de mármore esculpidos à mão e soluções técnicas inovadoras

Em meados de junho de 2026, a Acrópole de Atenas testemunhou um evento histórico com a remoção definitiva dos andaimes que cobriam a fachada oeste do Partenon. Pela primeira vez em cerca de 220 anos, o monumento mais icônico da civilização ocidental pode ser apreciado em sua totalidade, sem obstruções metálicas, revelando uma forma que não era vista desde o início do século 19. A conclusão desta fase de restauração marca um avanço fundamental na preservação do templo dedicado à deusa Atena, que domina o horizonte da capital grega desde o século 5 a.C.
Resgate da unidade clássica
O projeto, que teve início em 2017, concentrou-se na recuperação do frontão ocidental, a estrutura triangular localizada no topo das colunas. Ao longo de 2.500 anos, o edifício sofreu danos severos causados por terremotos, conflitos militares e poluição atmosférica.
Entretanto, um dos impactos mais profundos ocorreu há pouco mais de dois séculos, quando o aristocrata britânico Thomas Bruce, o Sétimo Conde de Elgin, removeu grande parte dos elementos decorativos e esculturas para levá-los à Inglaterra. Conforme reportado pela Euronews, essas peças, hoje conhecidas como “mármores de Elgin”, permanecem no Museu Britânico, enquanto a Grécia trabalha para recompor o vazio arquitetônico deixado no monumento original.
Precisão técnica artesanal
A complexidade da obra exigiu o que o Serviço de Restauro de Monumentos da Acrópole (YSMA), descreveu como “precisão cirúrgica”. Para preencher as lacunas estruturais, foram instalados dois novos blocos de mármore, denominados ortostatos, no frontão. O material foi extraído da pedreira de Dionyssos, situada a cerca de 32 quilômetros de distância, e transportado com extremo cuidado até o topo da colina sagrada.
Conforme informações divulgadas pelo YSMA, um dos blocos foi restaurado unindo fragmentos antigos a novos suplementos, enquanto o segundo foi inteiramente esculpido em mármore novo para substituir uma peça completamente perdida. O processo envolveu a talha manual das pedras para garantir que se ajustassem milimetricamente à estrutura milenar. A arquiteta e engenheira V. Manidaki, que liderou o projeto de restauração, supervisionou cada etapa desse trabalho minucioso de engenharia e arte.

Orgulho e responsabilidade global
A Ministra da Cultura da Grécia, Lina Mendoni, celebrou a conquista ressaltando a importância do Partenon como Patrimônio Mundial da UNESCO. Durante a cerimônia de revelação, a ministra destacou o impacto visual da obra finalizada, repercute a Smithsonian Magazine.
“A visão é verdadeiramente deslumbrante”, afirmou Lina Mendoni, acrescentando que “hoje estamos falando da conclusão de uma intervenção de restauração extremamente exigente, graças à qual o frontão oeste do Partenon está sendo apresentado em sua forma mais completa em cerca de 220 anos”.
De acordo com o veículo Euronews, a restauração preenche uma lacuna física e permite que a perfeição geométrica e as proporções únicas do templo sejam realçadas novamente. “É um momento de significado histórico para o monumento, para a Acrópole e para a cultura mundial”, declarou Lina Mendoni em comunicado oficial. A conclusão desta etapa, financiada pelo Fundo de Recuperação e Resiliência, representa um compromisso renovado da Grécia em proteger o maior símbolo da herança clássica para as futuras gerações.
*Sob supervisão de Éric Moreira