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Terra pode não ser engolida pelo Sol, mas seguirá inabitável

Estudos recentes indicam que a órbita terrestre pode se afastar durante a agonia solar, poupando o planeta da incineração, mas não do calor extremo

Novos modelos astronômicos sugerem que a Terra pode escapar de ser engolida pelo Sol durante a fase final de evolução da estrela - Foto: Getty Images

A ciência acaba de atualizar as previsões sobre o fim do nosso sistema solar com uma descoberta que desafia décadas de consenso astronômico. Até recentemente, acreditava-se que, ao esgotar seu combustível e se expandir como uma gigante vermelha, o Sol inevitavelmente engoliria a Terra. 

No entanto, uma pesquisa inédita publicada no periódico Astronomy & Astrophysics sugere que o planeta pode escapar dessa incineração direta. Embora a estrutura física da rocha terrestre possa ser preservada, o relatório enfatiza que essa sobrevida orbital não impedirá a extinção completa de toda a vida como a conhecemos muito antes do desfecho solar.

Equilíbrio de forças cósmicas

A sobrevivência da Terra depende de um ajuste fino entre duas forças colossais que atuarão durante a fase de gigante vermelha da estrela. Conforme o estudo liderado por Mats Esseldeurs, pesquisador da Universidade de Leuven, na Bélgica, existe um cabo de guerra gravitacional em curso. Enquanto a expansão do Sol cria forças de maré que tentam puxar o planeta para seu interior, a estrela perde massa rapidamente através de ventos solares intensos

Essa perda de material enfraquece a gravidade do astro, permitindo que a órbita terrestre se desloque para fora. O coautor do trabalho, Stephane Mathis, do centro CEA Paris-Saclay, explica que “uma melhor compreensão da física das marés e as restrições mais avançadas que temos sobre a perda de massa permitem dizer que a Terra poderia se afastar do Sol, ao contrário do que foi previsto antes”.

Fim dos oceanos terrestres

Apesar da possível fuga da destruição física, o futuro biológico permanece sombrio e sem chances de continuidade na superfície. De acordo com informações divulgadas pelo veículo Forbes, o brilho do Sol aumenta gradualmente e deve atingir um nível crítico muito antes de a estrela atingir seu tamanho máximo. 

A chefe de astronomia da Universidade da Califórnia em Berkeley, Jessica Lu, adverte que esse aquecimento provocará um efeito estufa descontrolado, evaporando todos os oceanos e tornando a fotossíntese impossível em cerca de um bilhão de anos. Outro autor da área, Keming Zhang, reforça que o planeta será sanitizado de qualquer rastro de vida bem antes do risco de ser engolido pela gigante vermelha, tornando a sobrevivência da rocha uma vitória puramente astronômica e não biológica.

Mundo estéril e gélido

Conforme o artigo, o sistema solar do futuro será um lugar irreconhecível. Enquanto Mercúrio e Vênus permanecem condenados a desaparecer dentro da fornalha solar, a Terra e Marte devem migrar para órbitas mais seguras e distantes. Após a fase de gigante vermelha, o que restar do Sol encolherá até se tornar uma anã branca, um remanescente denso e frio que não terá energia para sustentar uma biosfera. 

O resultado final será uma Terra transformada em uma casca congelada, sem atmosfera e sem vida, orbitando os restos de uma estrela morta. A sobrevivência do orbe é uma vitória puramente técnica, pois o planeta estará sanitizado de qualquer rastro de sua antiga biodiversidade


*Sob supervisão de Giovanna Gomes

Meu propósito é dar voz a narrativas.