Notícias / Arqueologia

Arqueólogos encontram nova bala de canhão da Batalha do Álamo

Arqueólogos encontraram uma segunda bala de canhão associada à Batalha do Álamo, de 1836, que provavelmente foi disparada por defensores texanos

Duas balas de canhão da Batalha do Álamo descobertas, uma do lado mexicano e outra do lado texano / Crédito: Divulgação/Alamo Trust

Arqueólogos que trabalham no sítio histórico do Álamo, em San Antonio, nos Estados Unidos, anunciaram a descoberta de uma segunda bala de canhão intacta relacionada à célebre batalha travada no local em 1836. O achado é considerado excepcional pelos pesquisadores, já que, até este ano, nenhum projétil sólido havia sido encontrado durante as escavações do local.

A nova peça, uma bala de canhão de ferro, foi encontrada em 2 de junho no canto nordeste da igreja do Álamo. A descoberta ocorre poucos meses após a identificação de uma bala de canhão de bronze, recuperada em 5 de março, na véspera do 190º aniversário da batalha. Segundo os especialistas, os dois artefatos provavelmente representam projéteis disparados pelos lados opostos do conflito.

“É algo enorme”, disse Tiffany Lindley, diretora de arqueologia do Álamo, em um comunicado em vídeo do Alamo Trust. “Todos nós pensamos: ‘Não tem como superar isso'”, disse ela, referindo-se à bala de canhão de bronze descoberta em 5 de março, apenas um dia antes do 190º aniversário do conflito que matou Davy Crockett, “e então encontramos outra.”

As duas balas de canhão foram encontradas em áreas próximas da antiga missão e fortaleza espanhola fundada em 1718. O local se tornou um dos marcos históricos mais conhecidos dos Estados Unidos por ter sido palco da Batalha do Álamo, episódio decisivo da Revolução do Texas.

O confronto ocorreu durante um cerco de 13 dias, encerrado em 6 de março de 1836. Na ocasião, tropas mexicanas lideradas pelo general Antonio López de Santa Anna cercaram a fortaleza e derrotaram os cerca de 180 rebeldes texanos que a defendiam. Entre os mortos estava Davy Crockett. Posteriormente, o lema “Lembrem-se do Álamo!” passou a ser utilizado por combatentes que lutavam pela independência do Texas.

Mais detalhes

Os pesquisadores acreditam que a bala recém-descoberta tenha sido disparada pelos defensores texanos. De acordo com Kolby Lanham, pesquisador sênior e historiador do Álamo, o tamanho do projétil fornece pistas sobre sua origem.

Das duas balas de canhão, “a mais recente é ligeiramente maior” e provavelmente foi disparada por um canhão que disparava balas de 2,7 kg (6 libras), disse Kolby Lanham, pesquisador sênior e historiador do Álamo, em comunicado. “É provável que a de bronze pertencesse ao Exército Mexicano e a de ferro aos texanos.”

Embora escavações anteriores já tenham revelado munições e fragmentos de armamentos, os arqueólogos destacam que esta é a primeira vez que encontram projéteis sólidos completos associados ao confronto.

É algo enorme, que acontece uma vez na vida”, disse Lanham. “Mas, obviamente, já aconteceu duas vezes.”

A proximidade entre os dois artefatos reforça a hipótese de que ambos tenham sido utilizados durante os intensos combates travados no cerco de 1836. Para os pesquisadores, o fato de as peças terem permanecido enterradas por quase dois séculos aumenta ainda mais sua relevância histórica, repercute o Live Science.

“Quando foram lançadas pela primeira vez — possivelmente em 1836, provavelmente — nunca mais foram tocadas, e é isso que as torna ainda mais especiais”, disse Lindley. “Acho que não dá para subestimar a sua importância.”

As escavações no Álamo continuam revelando vestígios de diferentes períodos da história local. Além de artefatos ligados à batalha e à ocupação espanhola, arqueólogos também encontraram ferramentas de pedra produzidas por povos indígenas e objetos relacionados ao final do século 19, quando a estrutura passou a funcionar como armazém e depósito. As descobertas mais recentes reforçam a importância do local como um dos principais sítios arqueológicos dos Estados Unidos.

Éric Moreira é jornalista, formado pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo. Passa a maior parte do tempo vendo filmes e séries, interessado em jornalismo cultural e grande amante de Arte e História.