Arqueólogos descobrem segunda tumba etrusca intacta em necrópole na Itália
Sepultamento selado há mais de 2.600 anos foi encontrado em San Giuliano e pode ajudar a revelar detalhes das práticas funerárias etruscas

Arqueólogos que trabalham na necrópole de San Giuliano, no centro da Itália, anunciaram a descoberta de uma segunda tumba etrusca intacta em menos de um ano. A descoberta é considerada rara em uma região onde séculos de saques deixaram praticamente todos os túmulos conhecidos vazios ou parcialmente destruídos.
A nova câmara funerária foi localizada na área de Caiolo, dentro da necrópole situada a cerca de 70 quilômetros a noroeste de Roma. O achado foi realizado em 9 de junho de 2026 por pesquisadores do Projeto de Pesquisa Arqueológica de San Giuliano, da Universidade Baylor.
Ao acessarem o interior da estrutura, os arqueólogos encontraram a grande laje de pedra que fechava a entrada ainda em sua posição original. Segundo a equipe, não havia qualquer sinal de invasão ou violação do sepultamento.
Descoberta reforça importância da região
O achado ocorre menos de um ano após a descoberta de outra tumba intacta nas proximidades. Escavada em junho de 2025, aquela sepultura datava do final do século 7 a.C. e continha os restos mortais de quatro indivíduos enterrados sobre camas de pedra esculpidas.
Mais de 100 objetos funerários foram encontrados no local, incluindo armas de ferro, cerâmicas, ornamentos de bronze e grampos de cabelo de prata.
Para os pesquisadores, a descoberta de uma única tumba preservada já havia sido surpreendente. Encontrar uma segunda estrutura intacta tão próxima da primeira tornou a situação ainda mais excepcional.
Objetos permanecem preservados

A nova tumba parece ser menor do que a encontrada em 2025. Os arqueólogos identificaram pelo menos dois indivíduos em seu interior.
Um dos sepultados provavelmente era do sexo masculino, interpretação baseada na presença de uma ponta de lança posicionada ao lado do corpo. Partes dos restos mortais também foram preservadas, o que permitirá futuras análises científicas.
Diversos artefatos puderam ser observados dentro da câmara funerária. Entre eles estavam jarros de armazenamento, recipientes para bebida do tipo bucchero e ao menos um aríbalo, pequeno vaso frequentemente utilizado para armazenar óleos ou perfumes.
Outras peças permanecem parcialmente cobertas pelo solo acumulado ao longo dos séculos. Por esse motivo, os pesquisadores planejam remover os objetos cuidadosamente e analisá-los em ambiente laboratorial antes de iniciar estudos mais detalhados.
Uma rara oportunidade para entender os etruscos
O excelente estado de conservação da tumba oferece aos arqueólogos uma oportunidade pouco comum de estudar práticas funerárias etruscas sem interferências causadas por saqueadores.
Em todo o planalto de San Giuliano, mais de 600 tumbas já foram documentadas. No entanto, antes da descoberta realizada em 2025, todos os sepultamentos conhecidos haviam sido saqueados em algum momento após a conquista romana da região, ocorrida no século 3 a.C.
A preservação das duas câmaras permite que os pesquisadores observem exatamente como os objetos foram distribuídos ao redor dos mortos e comparem os costumes funerários adotados em túmulos vizinhos, repercute o Archaeology News.
Estudos continuarão nos próximos anos
As descobertas também chamaram atenção para o trabalho de preservação realizado na região. Segundo os responsáveis pelo projeto, a colaboração entre moradores de Barbarano Romano, autoridades locais e pesquisadores foi fundamental para impedir a ação de saqueadores durante as escavações.
Os trabalhos em Caiolo tiveram início em 2023 e seguem sob autorização do Ministério da Cultura da Itália e supervisão das autoridades arqueológicas regionais.
Os pesquisadores acreditam que a presença de duas tumbas intactas na mesma área aumenta a possibilidade de outros sepultamentos preservados ainda permanecerem ocultos no local.
Durante a temporada de campo de 2026, os estudos continuarão com a limpeza, catalogação e análise científica dos artefatos e restos mortais encontrados. Exames antropológicos, isotópicos e genéticos também estão previstos.
A comparação entre os dois sepultamentos poderá ajudar os especialistas a compreender melhor como famílias etruscas organizavam seus espaços funerários no final do século 7 a.C., preservando evidências que permaneceram intocadas por mais de 2.600 anos.
*Sob supervisão de Éric Moreira