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Exposições tentam recriar cheiro do bafo do T. rex

Pesquisadores e museus dos EUA recriaram aromas inspirados no T. rex e nos ecossistemas do período Cretáceo

Imagem ilustrativa Tiranossauro Rex - Getty Images

Uma pergunta curiosa tem ajudado pesquisadores e museus a aproximar o público do passado distante da Terra: afinal, como seria o hálito de um Tyrannosaurus rex? A tentativa de responder a essa questão deu origem a experiências imersivas em exposições norte-americanas dedicadas ao período Cretáceo e ao mais famoso dos dinossauros carnívoros.

De acordo com a reportagem da Olhar Digital, as iniciativas combinam evidências paleontológicas com comparações feitas a partir de animais atuais para recriar cheiros que poderiam ter feito parte do ambiente onde o T. rex viveu há cerca de 66 milhões de anos. A proposta é utilizar o olfato como ferramenta educativa, oferecendo aos visitantes uma forma diferente de imaginar o cotidiano desses gigantes extintos.

A hipótese para o hálito do predador

Imagem ilustrativa Tiranossauro Rex – Getty Images

Uma das experiências foi desenvolvida pelo Field Museum, em Chicago, durante a reformulação da exposição dedicada a Sue, um dos fósseis de T. rex mais completos já encontrados.

Segundo Ben Miller, desenvolvedor de exposições da instituição, a ideia surgiu a partir da tentativa de responder perguntas pouco convencionais sobre a vida desses animais. A equipe passou então a trabalhar na criação de aromas inspirados tanto no ambiente natural do período quanto no próprio predador.

Para reconstruir o possível hálito do T. rex, os especialistas levaram em consideração aspectos relacionados à sua alimentação e à estrutura de sua dentição. De acordo com Miller, os dentes relativamente espaçados do animal favoreciam a retenção de fragmentos de carne na boca por longos períodos.

Como o predador provavelmente engolia grande parte do alimento sem mastigá-lo completamente, restos orgânicos poderiam permanecer entre os dentes por bastante tempo, contribuindo para um odor considerado bastante desagradável.

A equipe utilizou como referência um cheiro artificial empregado no treinamento de cães de resgate. O resultado inicial, porém, foi considerado intenso demais para os visitantes e precisou ser suavizado antes de ser incorporado à exposição.

Cheiros da paisagem do Cretáceo

Além do aroma associado ao predador, o museu também desenvolveu fragrâncias inspiradas na vegetação que dominava partes da América do Norte no final do período Cretáceo.

Entre as referências utilizadas estão espécies relacionadas ao gengibre, ao tulipeiro e ao cipreste. Essas plantas modernas serviram como aproximações de elementos que compunham as paisagens da época e ajudam a criar uma experiência mais completa para o público.

Dinossauros, ciência e experiências sensoriais

Outra instituição que decidiu explorar o potencial educativo dos odores foi o Children’s Museum of Indianapolis.

Em uma área dedicada aos dinossauros, os visitantes participam de uma atividade em que precisam identificar qual cheiro poderia representar uma possível fonte de alimento para um T. rex.

Segundo Melissa Pederson, desenvolvedora de exposições do museu, duas das opções apresentadas remetem a plantas, enquanto a terceira procura reproduzir o esterco de um grande dinossauro herbívoro.

Para chegar ao resultado, a equipe utilizou como inspiração as fezes de elefantes, animais de grande porte com dieta baseada em vegetais. De acordo com Pederson, o cheiro surpreende os visitantes por não ser necessariamente repulsivo, apresentando características levemente adocicadas.

Para os organizadores das exposições, a utilização de aromas ajuda a despertar emoções e tornar temas científicos mais acessíveis. Ao incorporar o olfato à experiência, conceitos relacionados à vida pré-histórica deixam de ser apenas abstrações e passam a ser percebidos de forma mais concreta por crianças, famílias e demais visitantes.


*Sob supervisão de Felipe Sales Gomes