Uma descoberta recente no interior da Paraíba colocou novamente o Brasil no mapa das grandes revelações paleontológicas. Pesquisadores identificaram, na zona rural de Sousa, a maior pegada de dinossauro já registrada no país — um achado que amplia o entendimento sobre a presença de grandes predadores na América do Sul durante o período Cretáceo.
A marca foi localizada na região conhecida como Floresta dos Borbas, dentro da Bacia do Rio do Peixe, área já famosa por sua riqueza em vestígios fósseis. Com impressionantes 60 centímetros de comprimento e 55 centímetros de largura, a pegada supera todos os registros anteriores de dinossauros carnívoros no território brasileiro.
Pegada recorde
De acordo com os pesquisadores responsáveis, a pegada apresenta características tridáctilas — ou seja, com três dedos — típicas de dinossauros terópodes, grupo que inclui predadores bípedes. A análise inicial indica que o responsável pela marca pode ter sido um exemplar do gênero Abelisaurus, um carnívoro que habitou a América do Sul há aproximadamente 140 milhões de anos e que podia atingir cerca de seis metros de comprimento.
A identificação da pegada como a maior do Brasil não foi feita de forma imediata. Segundo o estudo, repercutido pelo G1, os cientistas realizaram uma ampla revisão de registros anteriores em diversas regiões do país, incluindo Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Norte, antes de concluir que nenhuma outra pegada conhecida alcançava dimensões semelhantes.
Além de seu tamanho expressivo, o achado reforça a importância científica da região de Sousa, onde está localizado o Vale dos Dinossauros, um dos principais sítios paleontológicos da América Latina. A área abriga centenas de pegadas fossilizadas e registros de dezenas de espécies que viveram no início do período Cretáceo, oferecendo pistas valiosas sobre o comportamento e o ambiente desses animais pré-históricos.
Os pesquisadores destacam que a descoberta pode ser apenas o começo. Como grande parte da área ainda não foi completamente explorada, existe a possibilidade de novas pegadas — potencialmente tão grandes quanto ou até maiores — serem encontradas no futuro. Isso abre caminho para novas investigações e pode ajudar a reconstruir com mais precisão a dinâmica ecológica dos dinossauros que habitaram o Nordeste brasileiro há milhões de anos.