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Descoberta na Guatemala pode mudar o que sabemos sobre números

Pequena peça de argila com padrão de 11 pontos sugere que civilizações da Mesoamérica já utilizavam sistemas numéricos entre 750 e 650 a.C.

Figura 'Tab' com apenas o toco semelhante a uma cabeça preservado com 11 pontos - Foto: J. Guernsey

Arqueólogos que trabalham no sítio de La Blanca, na costa do Pacífico da Guatemala, identificaram o que pode ser a forma mais antiga de escrita numérica da Mesoamérica. O objeto em questão é uma pequena estatueta de argila, datada entre os anos 750 e 650 a.C., que cabe na palma da mão. 

A descoberta é significativa pois recua a cronologia do uso de sistemas matemáticos e de registro na região em séculos, mostrando a sofisticação das primeiras comunidades urbanas locais. A característica que mais chamou a atenção dos pesquisadores foi um conjunto de 11 pontos impressos na cabeça da figura. Estes sinais estão organizados em três colunas verticais estruturadas

Segundo o estudo publicado na revista Latin American Antiquity e liderado pela professora Julia Guernsey, especialista em arte e arqueologia mesoamericana da Universidade do Texas, essa disposição sugere uma preocupação clara com a ordem e o registro de informações específicas.

Mistério nos onze pontos

Diferente de outras peças encontradas no local, esta estatueta possui uma cabeça em formato de aba plana, com ênfase total na área frontal. Os especialistas acreditam que os pontos podem representar um nome, uma data importante ou até mesmo um status social

Conforme dados oficiais divulgados pelos pesquisadores, a localização dos sinais na cabeça reforça a ideia de que os números estavam intrinsecamente ligados à identidade da pessoa representada.

Identidade e calendários

Em culturas mesoamericanas posteriores, como a maia, os números eram fundamentais para o sistema de calendário de 260 dias. A data de nascimento muitas vezes determinava o papel social e o nome de cada indivíduo. 

A estatueta de La Blanca sugere que essa tradição de unir números e identidade corporal já estava em fase de experimentação muito antes do que se imaginava, servindo como uma linguagem visual primitiva para marcar a personalidade humana.

Escavação com precisão

O que torna este achado especialmente valioso é o seu contexto arqueológico seguro. Muitas evidências de escrita antiga na região surgem em objetos sem procedência clara, mas esta peça foi recuperada em uma escavação controlada. 

Isso permitiu aos arqueólogos situar o objeto precisamente no tempo e no espaço, consolidando-o como um marco raro na história da numeração e da comunicação simbólica na América Central.


*Sob supervisão de Felipe Sales Gomes

Meu propósito é dar voz a narrativas.