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Castelo de Bran: a história e as lendas por trás do Castelo do Drácula

Símbolo da Transilvânia, o Castelo de Bran ficou especialmente famoso por sua associação ao emblemático vampiro Drácula, de Bram Stoker

O Castelo de Bran, na Romênia / Crédito: Getty Images

Erguido sobre um monte na região da Transilvânia, na Romênia, o Castelo de Bran tornou-se um dos destinos turísticos mais conhecidos do Leste Europeu graças à sua associação com o personagem Drácula. Cercado pelas Montanhas dos Cárpatos e marcado por torres de telhados alaranjados que se destacam acima das árvores, o edifício medieval atrai visitantes interessados em conhecer de perto o cenário que muitos relacionam ao famoso vampiro criado por Bram Stoker.

Apesar da fama construída em torno dessa ligação, a relação entre o castelo e o lendário Drácula é mais complexa do que parece. A figura histórica que inspirou parcialmente o personagem de Stoker foi Vlad Tepes, governante do século 15 conhecido como Vlad, o Empalador. Sua reputação de crueldade, especialmente pela prática de empalar inimigos para servir de advertência, ajudou a transformá-lo em uma figura cercada por lendas ao longo dos séculos.

Castelo de Bran, na Romênia / Crédito: Getty Images

No entanto, a conexão direta entre Vlad Tepes e o Castelo de Bran permanece incerta. Dependendo da versão apresentada, o príncipe pode ter passado uma ou duas noites no local como prisioneiro ou apenas ter atacado a fortaleza em algum momento de sua trajetória. A falta de evidências definitivas contribuiu para alimentar o imaginário popular que envolve o monumento.

Castelo do vampiro

A associação entre o castelo e o universo de Drácula tornou-se ainda mais curiosa pelo fato de Bram Stoker jamais ter visitado a Transilvânia. O autor irlandês também não conheceu o Castelo de Bran pessoalmente, embora sua obra tenha ajudado a consolidar a imagem da região como um território envolto em mistério e sobrenatural.

Com o passar do tempo, o castelo passou a ser promovido como o lar do famoso vampiro fictício. Empresas de turismo exploram essa imagem e organizam eventos temáticos, especialmente durante o Halloween. Festas realizadas na fortaleza costumam incluir decoração inspirada no universo gótico, apresentações musicais e bebidas tematizadas que fazem referência ao imaginário associado ao personagem.

Fotografia de Bram Stoker e retrato de Vlad Tepes / Crédito: Domínio Público

Estratégia de marketing comunista

A transformação do Castelo de Bran em uma atração ligada ao Drácula, porém, é relativamente recente. Segundo o historiador Nicolae Pepene, a estratégia surgiu durante o período em que a Romênia era governada por um regime comunista.

“Na década de 1960, quando a Romênia foi governada por um regime comunista, seus czares do turismo decidiram que poderia ser vantajoso comercializar um local associado a Vlad Tepes”, diz o historiador local Nicolae Pepene. “Eles olharam para todos os castelos disponíveis na região e decidiram que este castelo em Bran, que defende a única passagem nas montanhas entre a Transilvânia e a Valáquia, era gótico o suficiente”.

A aparência da construção certamente contribui para essa escolha. Em noites escuras, a fortaleza pode transmitir a atmosfera sombria frequentemente associada às histórias de vampiros. Contudo, durante o dia, a imagem do castelo se afasta do universo do terror e revela uma faceta muito diferente de sua história.

Refúgio da Rainha Maria

Por décadas, o Castelo de Bran foi residência da Rainha Maria da Romênia. Entre 1920 e 1938, a monarca adotou a fortaleza como lar e ajudou a consolidar uma identidade ligada à vida cotidiana da família real, distante das narrativas de horror que hoje dominam sua imagem internacional.

Atrás de suas espessas muralhas defensivas, o castelo abriga uma série de ambientes que revelam essa dimensão mais doméstica. Seus 57 cômodos formam um complexo repleto de corredores, recantos e espaços acolhedores. Entre os elementos presentes na construção estão um pátio interno com sacada, um poço e até mesmo uma passagem secreta que conduz a uma biblioteca revestida por painéis de madeira.

A disposição dos ambientes cria um percurso marcado por diferentes níveis e passagens estreitas, resultado de séculos de adaptações e transformações arquitetônicas. O conjunto reforça a singularidade da fortaleza, cuja função defensiva coexistiu com o papel de residência.

A própria Rainha Maria demonstrava especial apreço pelo local. O isolamento proporcionado pela posição elevada do castelo era um dos aspectos que mais a atraíam. “Seu isolamento me atraiu” disse a excêntrica régia, neta da Rainha Vitória, da Inglaterra, conforme repercute a National Geographic Brasil.

Retrato e fotografia da Rainha Maria da Romênia / Crédito: Domínio Público

Exploração comercial

Essa herança histórica, no entanto, muitas vezes divide espaço com a forte exploração comercial do mito do Drácula. Nas proximidades do castelo, lojas oferecem uma variedade de produtos inspirados no personagem, reforçando a associação entre o monumento e a cultura popular contemporânea.

Entre os itens vendidos aos visitantes estão canecas decoradas com presas, camisetas com referências sanguinolentas e até garrafas de vinho comercializadas sob o nome de “Sangue do Drácula”. Para muitos turistas, esses objetos fazem parte da experiência de visitar o local, embora representem apenas uma pequena parcela da história da fortaleza.

O contraste entre o patrimônio histórico e a exploração do imaginário vampírico reflete a capacidade do Castelo de Bran de atrair públicos diversos. Alguns visitantes chegam motivados pelas lendas ligadas a Vlad Tepes e ao personagem criado por Bram Stoker. Outros se interessam principalmente pelo legado da monarquia romena e pela arquitetura medieval preservada no local.

Conexão com o passado

Segundo Nicolae Pepene, independentemente do motivo que leva as pessoas até o castelo, a experiência acaba oferecendo uma conexão com o passado da região.

“Não importa se os visitantes do castelo venham pensando no mito do Drácula ou nos contos da Rainha Maria da Romênia”, diz Pepene, “no fim das contas, eles vêm até aqui para explorar um fragmento daqueles velhos tempos”.

Canecas com o rosto do Drácula vendidas próximas ao Castelo de Bran / Crédito: Getty Images

Ao reunir elementos da história medieval, da monarquia romena e de uma das figuras mais conhecidas da literatura de terror, o Castelo de Bran tornou-se um símbolo capaz de unir realidade e imaginação. Seja como fortaleza histórica, residência real ou cenário associado a uma das lendas mais populares do mundo, o monumento continua despertando curiosidade e atraindo visitantes em busca de uma experiência que mistura diferentes camadas do passado.

Éric Moreira é jornalista, formado pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo. Passa a maior parte do tempo vendo filmes e séries, interessado em jornalismo cultural e grande amante de Arte e História.