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Astrônomos detectam vento a velocidade recorde em buraco negro

Fenômeno foi observado em um quasar a três bilhões de anos-luz da Terra e representa o vento mais rápido já identificado em um buraco negro

Buraco Negro quasar capa
Ilustração de um quasar - NASA, ESA, Joseph Olmsted (STScI)

Astrônomos identificaram um dos fenômenos mais extremos já observados no universo: um quasar alimentado por um buraco negro supermassivo que lança ventos a velocidades equivalentes a 30% da velocidade da luz, cerca de 323 milhões de quilômetros por hora. Segundo o estudo responsável pela descoberta, trata-se do vento de buraco negro mais veloz já detectado em comprimentos de onda ultravioleta.

O objeto, denominado J2318, está localizado a aproximadamente três bilhões de anos-luz da Terra e abriga um buraco negro com massa estimada em 1,7 bilhão de vezes a massa do Sol. Embora essa dimensão seja considerada comum entre os chamados buracos negros supermassivos, a velocidade do vento observado surpreendeu os cientistas.

“Em termos de velocidade, o vento deste quasar poderia ser chamado de um furacão categoria 79”, afirmou Lucas Seaton, pesquisador da Universidade de York, no Canadá, e líder do estudo, em fala repercutida pelo Olhar Digital. Segundo ele, a comparação ajuda a ilustrar a magnitude do fenômeno, embora não exista nada semelhante na Terra.

Recorde em buraco negro

Os ventos observados têm origem na intensa atividade dos quasares, considerados alguns dos objetos mais brilhantes do universo. Eles surgem quando um buraco negro supermassivo é cercado por grandes quantidades de gás e poeira, formando um disco de acreção. À medida que esse material é atraído pela enorme gravidade do buraco negro, forças de atrito e maré aquecem a matéria a temperaturas extremas, produzindo uma intensa emissão de energia em diversas faixas do espectro eletromagnético.

Essa radiação não apenas ilumina o quasar, mas também exerce pressão sobre o gás ao redor, impulsionando parte dele para o espaço na forma de ventos extremamente velozes.

“Nos quasares, frequentemente observamos ventos de gás sendo empurrados para longe do buraco negro pela luz emitida pelo próprio quasar”, explicou Seaton. “O vento em J2318 pode ser observado em comprimentos de onda ultravioleta, alcançando velocidades de até 30% da velocidade da luz. Embora existam ventos ainda mais rápidos detectados em raios X, este é o mais rápido já identificado na faixa ultravioleta.”

Ao contrário dos ventos terrestres, que são impulsionados por diferenças de pressão atmosférica, os ventos de buracos negros são movidos pela radiação. Nesse processo, partículas de luz conhecidas como fótons colidem com átomos presentes no gás ao redor do quasar, transferindo energia e acelerando a matéria a velocidades extraordinárias.

Segundo os pesquisadores, compreender exatamente como esse mecanismo funciona ainda representa um desafio. Isso porque a mesma radiação capaz de acelerar o gás também pode remover elétrons dos átomos, alterando suas características observáveis.

A descoberta de J2318 oferece aos especialistas uma oportunidade rara para investigar como alguns dos processos mais energéticos do cosmos moldam a estrutura do universo em larga escala.

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e nerd desde o berço, sou dono de uma mente inquieta que sempre tem mais perguntas que respostas. Vez ou outra, você pode ler textos meus sobre curiosidades históricas, música, ciência e cultura pop.