Estudo global aponta que rostos femininos são considerados mais atraentes
Análise com cerca de 28,5 mil participantes em 76 países identificou preferência consistente por rostos femininos; entenda!

Um novo estudo internacional sugere que pessoas de diferentes culturas tendem a considerar rostos femininos mais atraentes do que rostos masculinos. A pesquisa reuniu dados de dezenas de estudos anteriores e encontrou um padrão consistente entre participantes de diferentes sexos, idades, nacionalidades e origens étnicas.
A descoberta ajuda a investigar uma questão que intriga cientistas há décadas. Em muitas espécies animais, os machos apresentam características mais chamativas para atrair parceiras. Entre os seres humanos, porém, observações frequentes apontam para um cenário diferente, no qual as mulheres costumam ser consideradas mais bonitas do que os homens.
Uma questão debatida desde Darwin
Segundo os pesquisadores, essa aparente diferença chamou a atenção de estudiosos ao longo da história, incluindo Charles Darwin.
De acordo com a revista Smithsonian, apesar das diversas teorias propostas ao longo dos anos, os cientistas afirmam que a própria existência dessa diferença de percepção nunca havia sido testada de forma tão ampla.
O novo trabalho foi publicado em 27 de maio na revista científica Proceedings of the Royal Society B e buscou preencher essa lacuna.
Mais de 1,5 milhão de avaliações analisadas
Para realizar o estudo, a equipe liderada pelo psicólogo Eugen Wassiliwizky analisou mais de 1,5 milhão de avaliações faciais individuais provenientes de 52 estudos anteriores.
Os dados reuniram informações de aproximadamente 28.500 participantes distribuídos em 76 países. Entre eles estavam avaliadores de locais como Estados Unidos, Alemanha, Reino Unido e Japão.
As avaliações foram feitas a partir de fotografias frontais de pessoas reais com expressões naturais ou neutras.
Segundo os autores, a pesquisa representa a maior coleção de dados já reunida sobre atratividade facial.
Resultados apareceram em diferentes culturas
Os pesquisadores constataram que, em média, os rostos femininos receberam notas mais altas de atratividade do que os masculinos.
O fenômeno foi denominado pelos autores de diferença de atratividade entre os gêneros, ou GAP, na sigla em inglês.
Um dos resultados que mais chamou atenção foi o comportamento das mulheres avaliadoras. Segundo o estudo, elas atribuíram notas significativamente mais altas aos rostos femininos do que aos masculinos. Já os rostos masculinos receberam avaliações semelhantes tanto de homens quanto de mulheres.
A pesquisa também identificou algumas exceções. A diferença observada diminuiu quando os participantes avaliavam rostos de pessoas mais velhas e de indivíduos com ascendência africana.
Além disso, o efeito desapareceu completamente quando as pessoas avaliavam a própria aparência.
Estrutura facial pode ajudar a explicar o fenômeno
Para compreender melhor os resultados, os cientistas analisaram características associadas à feminilidade e à masculinidade facial.
Segundo a equipe, mulheres costumam apresentar rostos mais arredondados, enquanto homens geralmente possuem traços mais angulares.
As análises indicaram que essas diferenças estruturais desempenham um papel importante na chamada GAP. Ainda assim, os pesquisadores destacam que a estrutura facial não explica completamente o fenômeno observado.
De acordo com Wassiliwizky, a diferença de atratividade pode ser parcialmente explicada por essas características físicas, mas não inteiramente.
Debate continua entre especialistas
O estudo também recebeu comentários de pesquisadores que não participaram da investigação.
O biólogo evolucionista Karel Kleisner considerou importante a confirmação da diferença observada pelos autores. No entanto, ele destacou que padrões locais de beleza podem influenciar as avaliações realizadas em diferentes regiões do mundo.
Segundo Kleisner, uma das limitações da pesquisa está na dificuldade de captar particularidades relacionadas aos conceitos de beleza presentes em diferentes culturas, especialmente em populações africanas.
Mesmo com essas ressalvas, os resultados reforçam a existência de um padrão global que, segundo os autores, merece continuar sendo investigado para compreender melhor como fatores biológicos, culturais e sociais influenciam a percepção humana da beleza.
*Sob supervisão de Éric Moreira