O que a polícia encontrou na Neverland de Michael Jackson?
Saiba quais foram os materiais apreendidos no rancho de Neverland, a casa do Rei do Pop que se tornou alvo de investigação

As buscas realizadas pela polícia no rancho Neverland, propriedade de Michael Jackson na Califórnia, voltaram aos holofotes com o lançamento da série documental Michael Jackson: O Veredito, da Netflix. A produção revisita as investigações que culminaram no julgamento do cantor em 2005 e relembra algumas das evidências encontradas pelas autoridades durante operações realizadas em 2003 e 2004.
A principal busca ocorreu em novembro de 2003, após Gavin Arvizo, então com 13 anos, acusar Jackson de abuso sexual. Dois dias antes da prisão do artista, agentes do Departamento do Xerife do Condado de Santa Barbara realizaram uma ampla operação em Neverland para verificar informações fornecidas pelo adolescente.
Apreensões em Neverland
Segundo o promotor Ron Zonen, que participou do caso e aparece no documentário, o objetivo era encontrar elementos que pudessem confirmar ou contradizer os relatos apresentados pela acusação.
Uma das áreas que mais chamou a atenção dos investigadores foi uma suíte localizada na residência principal. De acordo com depoimentos apresentados durante o processo, o espaço possuía várias fechaduras e sistemas de segurança. Entre eles, havia uma porta equipada com um teclado que exigia uma combinação numérica para ser aberta.

Os investigadores também encontraram um mezanino com uma cama king size, local citado por testemunhas durante a investigação.
Outro item procurado pelas autoridades era uma maleta contendo material pornográfico. Segundo os promotores, Gavin Arvizo havia informado que o objeto ficava armazenado no banheiro principal da casa.
Durante a busca, os agentes localizaram a maleta e encontraram revistas e materiais pornográficos destinados ao público adulto. De acordo com os registros do caso, parte do conteúdo era recente, enquanto outros itens datavam da década de 1990.
Investigadores destacaram que não foram encontrados materiais de pornografia infantil na propriedade.
Além da maleta, a polícia apreendeu outros materiais adultos em diferentes cômodos da residência, incluindo revistas, livros fotográficos e vídeos.
Uma das publicações que ganhou destaque durante o julgamento foi uma edição da revista Hustler Barely Legal Hardcore. A acusação argumentou que o conteúdo poderia ter sido utilizado para expor menores a material sexualizado. Já a defesa contestou essa interpretação e questionou as conclusões apresentadas pelos promotores.
As impressões digitais encontradas em algumas revistas também se tornaram tema de debate durante o processo. A promotoria afirmou que peritos identificaram digitais pertencentes a Gavin Arvizo e a seu irmão em determinados materiais. A defesa, por sua vez, alegou inconsistências nos registros e contestou a validade dessa evidência.

Outro elemento registrado durante a operação foi uma pintura localizada acima de uma cama no mezanino da residência. A obra reproduzia a composição de A Última Ceia, de Leonardo da Vinci, mas trazia Michael Jackson ocupando a posição central da mesa.
Entre os itens mais controversos apresentados pela acusação estavam dois livros fotográficos encontrados em um armário trancado no closet do cantor. As obras, intituladas The Boy: A Photographic Essay e Boys Will Be Boys, já haviam sido apreendidas durante uma investigação anterior realizada em 1993, após acusações feitas por Jordan Chandler.
Os livros continham fotografias de meninos, algumas delas com nudez. A acusação argumentou que esse tipo de material poderia ser utilizado por abusadores para normalizar discussões envolvendo nudez infantil. Já a defesa sustentou que se tratavam de publicações comercializadas legalmente e frequentemente classificadas como obras fotográficas de caráter artístico.
Em 2004, investigadores retornaram a Neverland para uma nova operação, desta vez com o objetivo de coletar amostras adicionais de DNA antes do julgamento.
O caso foi levado aos tribunais em 2005 e se tornou um dos processos criminais mais acompanhados da década. Após meses de audiências e depoimentos, Michael Jackson foi absolvido de todas as acusações apresentadas contra ele.