Sistema Solar ‘primitivo’ abrigou seis planetas gigantes, diz estudo
Pesquisa revela que Super-Terras desapareceram após alterar luas de Urano e Netuno; interações violentas explicam a atual estrutura de diversas luas

O nosso Sistema Solar nem sempre foi o conjunto organizado de oito planetas que conhecemos hoje. De acordo com nova pesquisa, liderada pelo cientista Matthew Clement, do Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins, o nosso bairro cósmico pode ter sido muito mais populoso e caótico em sua infância.
O estudo sugere que até seis planetas gigantes orbitavam o Sol nos primeiros cem milhões de anos do sistema. Dois desses mundos extras seriam super-Terras, planetas com massas situadas entre a da Terra e a de Netuno, que acabaram expulsos para o espaço interestelar após uma dança gravitacional violenta.
Caos na vizinhança cósmica
As simulações computacionais realizadas pela equipe internacional, que inclui o pesquisador brasileiro Rogério Deienno, do Southwest Research Institute, revelam que essas super-Terras perdidas desempenharam um papel fundamental na preservação dos sistemas de luas que observamos hoje.
Conforme os dados apresentados no artigo, o cenário mais provável para a sobrevivência simultânea das luas de Júpiter e Urano envolve a presença desses planetas adicionais.
Esses mundos gigantes funcionaram como amortecedores gravitacionais durante um período conhecido como instabilidade dos planetas gigantes, evitando que Júpiter ou Urano perdessem seus satélites naturais em colisões catastróficas.
Mistérios das luas uranianas
O estudo destaca que as luas de Urano, especialmente a pequena e geologicamente bizarra Miranda, podem ser testemunhas silenciosas desse passado turbulento. De acordo com Nathan Kaib, cientista sênior do Planetary Science Institute e coautor do trabalho, esses planetas suplementares provavelmente causaram instabilidade nas luas originais de Urano, levando a episódios de colisões e fragmentações.
Esse processo de destruição e posterior reconstrução explicaria por que Miranda possui uma composição tão gelada e uma aparência que lembra um retalho geológico.
Um passado de colisões
Diferente de modelos anteriores que previam apenas quatro ou cinco gigantes, a nova análise testou 122 trajetórias evolutivas possíveis para o nosso sistema. Os resultados indicam que a estabilidade atual é fruto de uma evolução improvável e violenta, em que planetas gigantes foram ejetados para o vácuo após reorganizarem toda a vizinhança.
Embora esses planetas desaparecidos não possam mais ser vistos, suas marcas permanecem nas órbitas e na composição dos satélites que ainda restam. O trabalho estabelece que as luas funcionam como fósseis dinâmicos, guardando segredos sobre quantos mundos o Sistema Solar realmente abrigou em sua juventude.
*Sob supervisão de Fabio Previdelli