OMS alerta para risco de aumento do sarampo na Copa do Mundo
Com surtos ativos de sarampo nos Estados Unidos, Canadá e México, autoridades de saúde recomendam que viajantes atualizem a vacinação

A Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) emitiram um alerta sobre o risco de aumento da circulação do sarampo durante a Copa do Mundo de 2026. A competição, que será realizada entre 11 de junho e 19 de julho nos Estados Unidos, Canadá e México, deverá reunir milhões de torcedores, atletas, jornalistas e turistas de diversas partes do planeta, criando condições favoráveis para a propagação de doenças infecciosas altamente contagiosas.
A preocupação das autoridades sanitárias ocorre em meio a um cenário de crescimento expressivo dos casos de sarampo nas Américas. Segundo dados da Opas, a região registrou quase 15 mil casos confirmados da doença em 2025, número mais de 30 vezes superior ao observado no ano anterior. Canadá, Estados Unidos e México concentram a maior parte dessas ocorrências e continuam enfrentando surtos ativos em 2026.
Surto de Sarampo
O sarampo é uma doença viral extremamente contagiosa, transmitida principalmente por gotículas respiratórias expelidas ao tossir, espirrar ou falar. Especialistas estimam que uma única pessoa infectada pode transmitir o vírus para até 18 indivíduos suscetíveis, tornando ambientes com grande concentração de pessoas especialmente propícios para surtos. Estádios, aeroportos, hotéis e sistemas de transporte associados à Copa estão entre os locais que mais preocupam as autoridades de saúde.
De acordo com a Opas, grande parte dos casos registrados recentemente ocorreu entre pessoas não vacinadas ou com histórico vacinal incompleto. Embora a cobertura vacinal contra o sarampo tenha apresentado leve recuperação em alguns países, os índices ainda permanecem abaixo dos 95% considerados necessários para impedir a circulação sustentada do vírus. Além disso, estima-se que milhões de crianças e adolescentes ao redor do mundo ainda possuam lacunas de imunização.
O alerta também envolve o risco de exportação e reintrodução da doença em países que atualmente não apresentam transmissão contínua. O Brasil, por exemplo, mantém o status de país livre da circulação endêmica do sarampo, mas autoridades sanitárias avaliam que o retorno de viajantes infectados pode desencadear novos surtos em regiões com baixa cobertura vacinal. Por esse motivo, o Ministério da Saúde publicou recomendações específicas para brasileiros que pretendem acompanhar o torneio presencialmente.
As orientações incluem verificar a situação vacinal antes da viagem e atualizar o esquema de imunização com antecedência mínima de duas semanas. A vacina tríplice viral, que também protege contra caxumba e rubéola, continua sendo considerada a principal ferramenta para prevenir a doença. A Opas reforça ainda a necessidade de ampliar a vigilância epidemiológica durante grandes eventos internacionais, permitindo a identificação rápida de casos suspeitos e a adoção de medidas de contenção.