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Guia é achado com vida após seis dias desaparecido no topo do Everest

Hillary Dawa Sherpa foi localizado rastejando em direção ao campo base com congelamento e fraturas, contrariando as baixas chances de sobrevivência

O guia Hillary Dawa Sherpa chegando ao hospital após o resgate e, à direita, seu parceiro Chris Thrall - Crédito: Divulgação/vídeo/Youtube/7NEWS Australia.

O guia nepalês Hillary Dawa Sherpa, de 52 anos, protagonizou o que especialistas chamam de “milagre” ao ser resgatado com vida após passar seis dias desaparecido no Monte Everest. Ele foi avistado na última quinta-feira, 4, por uma equipe de limpeza enquanto rastejava exausto e com ferimentos graves em direção ao Acampamento Base da montanha mais alta do mundo. 

O alpinista havia sido visto pela última vez a cerca de 7,5 mil metros de altitude, uma zona onde o ar é extremamente rarefeito e a sobrevivência humana sem apoio é considerada quase impossível devido à baixa pressão barométrica e temperaturas extremas.

Separação durante a descida

A tragédia começou a se desenhar em 30 de maio, um dia após Dawa Sherpa atingir o cume acompanhando o aventureiro britânico Chris Thrall. Durante o trajeto de volta, o guia parou para descansar e incentivou seu parceiro a seguir adiante. 

Thrall, que é um experiente escalador e ex-fuzileiro naval, relatou que encontrou outro alpinista em dificuldades no caminho e precisou priorizar o auxílio imediato. Ele acreditava que o guia, com sua vasta experiência acumulada em centenas de subidas, os alcançaria em breve, mas o encontro nunca ocorreu devido à rápida deterioração das condições climáticas.

Sobrevivência na zona mortal

As esperanças de encontrar o guia vivo eram mínimas, levando sua esposa, Damu Sherpa, a realizar orações por sua alma, acreditando que ele já havia falecido. No entanto, Pemba Sherpa, diretor da empresa 8K Expeditions que coordenava as buscas, afirmou que o feito de Dawa é um verdadeiro autorresgate inédito naquela altitude. 

O guia sobreviveu sozinho enfrentando temperaturas congelantes e a hipóxia severa, possivelmente utilizando tendas abandonadas para se proteger do vento intenso que atinge os picos do Himalaia.

Investigação sobre o resgate

Atualmente, o alpinista está internado em uma unidade de terapia intensiva em Katmandu, capital do Nepal. Segundo a agência de notícias AFP, os médicos tratam congelamentos severos nas mãos, uma fratura no fêmur e desidratação grave, embora seu quadro clínico seja considerado estável. 

Apesar do alívio pelo reaparecimento, a família de Dawa exige agora uma investigação rigorosa sobre a conduta da organizadora da expedição, acusando a empresa de negligência e demora excessiva para mobilizar as equipes oficiais de salvamento enquanto o guia lutava pela vida sozinho.


*Sob supervisão de Giovanna Gomes