O “Serial Killer do Jogo do Encontro”: a história de Rodney Alcala
Fotógrafo, manipulador e extremamente carismático, Rodney Alcala matou mulheres e crianças durante mais de uma década

A história dos serial killers está repleta de criminosos que escondiam uma vida secreta por trás de uma aparência comum. Poucos, porém, levaram essa capacidade de dissimulação tão longe quanto Rodney Alcala. Conhecido posteriormente como “The Dating Game Killer” (“O Assassino do Jogo do Encontro”), ele conseguiu participar de um famoso programa de namoro da televisão americana enquanto já era procurado por crimes violentos e acumulava vítimas em diferentes estados dos Estados Unidos.
Nascido como Rodrigo Jacques Alcala Buquor, em 1943, no México, Alcala mudou-se ainda criança para Los Angeles com a família. Inteligente e articulado, estudou artes na universidade e desenvolveu interesse por fotografia. Aos olhos de muitas pessoas, parecia um jovem talentoso e promissor. Por trás dessa imagem, entretanto, escondia-se um comportamento violento que começaria a se manifestar ainda na década de 1960.
Seu primeiro crime conhecido ocorreu em 1968. Naquele ano, Alcala atraiu uma menina de oito anos para seu apartamento, onde a espancou e abusou sexualmente dela. A criança sobreviveu por pouco. Quando a polícia chegou ao local, os agentes cometeram um erro que teria consequências devastadoras: permitiram que Alcala entrasse em casa para trocar de roupa antes de ser preso. Ele escapou pelos fundos e desapareceu. Posteriormente, entrou para a lista dos mais procurados do FBI.
Durante o período em que esteve foragido, Alcala adotou identidades falsas e continuou circulando livremente. Em Nova York, estudou cinema e fotografia sob outro nome, enquanto suas atividades criminosas prosseguiam longe dos holofotes. A combinação entre inteligência, aparência amigável e habilidades sociais permitia que ele conquistasse a confiança de desconhecidos com facilidade.

Um perigo à espreita
A fotografia tornou-se uma das principais ferramentas utilizadas por ele para atrair vítimas. Alcala frequentemente abordava mulheres em praias, parques, bares ou ruas movimentadas, apresentando-se como fotógrafo profissional. Ele oferecia ensaios fotográficos gratuitos ou oportunidades de modelagem, convencendo muitas vítimas a acompanhá-lo. Décadas depois, investigadores encontrariam milhares de fotografias em sua posse, muitas delas retratando mulheres cuja identidade jamais foi completamente esclarecida.
Apesar de possuir antecedentes criminais, Alcala conseguiu algo que hoje parece inacreditável. Em 1978, participou do programa de televisão “The Dating Game”, uma das atrações de namoro mais populares dos Estados Unidos. No formato do programa, uma mulher fazia perguntas a três pretendentes escondidos atrás de um painel e escolhia um deles para um encontro. Alcala foi um dos participantes e, graças ao seu comportamento descontraído e às respostas bem-humoradas, acabou sendo escolhido pela concorrente Cheryl Bradshaw.
A escolha, porém, não resultou em um encontro.
Após as gravações, Cheryl conversou brevemente com Alcala nos bastidores e sentiu-se profundamente desconfortável. Segundo relatos posteriores, ela o considerou estranho e perturbador. Confiando em sua intuição, cancelou o compromisso. Décadas depois, muitos investigadores afirmariam que essa decisão provavelmente salvou sua vida.
Naquele momento, ninguém da produção do programa sabia que Alcala já havia cometido assassinatos. A ausência de verificações rigorosas de antecedentes, algo comum na era anterior à internet, permitiu que ele aparecesse em rede nacional como um solteiro atraente e divertido.
Enquanto sua imagem era exibida para milhões de telespectadores, a polícia acumulava evidências ligando-o a desaparecimentos e homicídios. As investigações revelariam posteriormente um padrão extremamente cruel. Alcala costumava torturar suas vítimas antes de matá-las, frequentemente utilizando estrangulamento. Algumas sobreviventes relataram que ele interrompia o ataque antes da morte para prolongar o sofrimento.
O fim dos crimes de Alcala
Sua queda definitiva ocorreu após o assassinato de Robin Samsoe, uma garota de 12 anos desaparecida em 1979. Testemunhas conseguiram relacionar Alcala ao caso, e provas físicas acabaram fortalecendo a acusação. Nos anos seguintes, ele enfrentaria uma longa sequência de julgamentos, recursos e novas investigações.
À medida que tecnologias forenses avançavam, especialmente os testes de DNA, os investigadores passaram a conectar Alcala a crimes cometidos em diferentes estados americanos. O número oficialmente comprovado de vítimas chegou a oito assassinatos, mas autoridades acreditam que a quantidade real pode ser muito maior. Alguns investigadores estimaram que ele poderia ter matado mais de uma centena de pessoas ao longo de sua vida criminosa, embora esse número jamais tenha sido comprovado de forma definitiva.
Um dos fatores que alimentam essas suspeitas é justamente o gigantesco arquivo fotográfico deixado por Alcala. Muitas das pessoas retratadas nas imagens nunca foram identificadas. Em diferentes momentos, a polícia divulgou fotografias ao público na esperança de descobrir quem eram aquelas mulheres, homens e crianças e determinar se alguns deles poderiam ter se tornado vítimas do serial killer.
Após décadas no corredor da morte, Rodney Alcala morreu de causas naturais em uma prisão da Califórnia em julho de 2021, aos 77 anos. Sua morte encerrou qualquer possibilidade de novas confissões ou esclarecimentos sobre a verdadeira extensão de seus crimes.